A recente medida da Agência Nacional de Vigilância Sanitária provocou um impacto imediato no mercado de cosméticos ao determinar o cancelamento de mais de 500 esmaltes no Brasil.
A decisão, publicada no Diário Oficial da União, envolve pelo menos 522 produtos que continham substâncias agora consideradas inadequadas para uso. A ação representa um dos maiores movimentos regulatórios recentes dentro do segmento de cuidados com as unhas.
O motivo da retirada dos produtos está diretamente ligado à presença de dois compostos: o Óxido de Trimetilbenzoil Difenilfosfina (TPO) e o Dimetil-p-Toluidina (DMPT).
Esses elementos são comuns em esmaltes em gel e materiais utilizados na aplicação de unhas artificiais, especialmente aqueles que dependem de luz ultravioleta ou LED para fixação. Apesar de sua eficácia técnica, passaram a ser vistos como um risco após novas evidências científicas.
Riscos à saúde preocupam especialistas
Estudos internacionais apontaram que o DMPT pode ter potencial cancerígeno em humanos, enquanto o TPO apresenta токсicidade relacionada à reprodução, podendo afetar a fertilidade.
Esses efeitos acenderam um alerta importante, principalmente entre profissionais da área de estética, que lidam com esses produtos diariamente e, portanto, estão mais expostos aos seus efeitos cumulativos.
Prazo para retirada dos esmaltes e mudanças no mercado
A proibição não ocorreu de forma imediata. A norma já havia sido estabelecida anteriormente por meio da RDC nº 995/2025, que concedeu um prazo de 90 dias para que empresas e estabelecimentos se adequassem.
Com o encerramento desse período, os produtos passaram a ter seus registros oficialmente cancelados, exigindo recolhimento e suspensão total da comercialização e uso.
Diante desse cenário, torna-se essencial que o público esteja mais atento à composição dos cosméticos utilizados. Verificar rótulos, optar por marcas regularizadas e evitar produtos sem procedência são atitudes fundamentais para reduzir riscos.
Regulação acompanha avanços científicos
A atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária reflete um esforço contínuo de atualização diante de novas descobertas científicas. Substâncias antes consideradas seguras podem ser reavaliadas à medida que novos estudos surgem, reforçando a necessidade de vigilância constante no setor.
O caso brasileiro segue um movimento internacional de maior controle sobre ingredientes químicos em cosméticos. Países ao redor do mundo vêm restringindo o uso de compostos associados a doenças graves, indicando uma transformação no padrão de segurança exigido pela indústria.
A retirada de centenas de esmaltes do mercado serve como um lembrete de que até itens comuns do dia a dia passam por avaliações rigorosas.





