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Ratinho se aposenta e ganha medalha por ajudar a localizar 71 minas terrestres

Por Leticia Florenço
30/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Mina Terrestre - Reprodução/iStock

Mina Terrestre - Reprodução/iStock

Magawa, conhecido internacionalmente como o “rato herói”, encerrou sua carreira após cinco anos atuando na detecção de minas terrestres no Camboja. O animal ganhou notoriedade por sua atuação em áreas contaminadas por explosivos remanescentes de guerras, contribuindo diretamente para a segurança de milhares de pessoas.

Treinado por uma organização especializada em desminagem, o roedor africano foi responsável por localizar 71 minas terrestres e 38 itens de munição não detonada, números considerados altos dentro desse tipo de operação.

Magawa, o rato 'herói' que detecta minas terrestres se aposenta com honras  no Camboja | G1
Foto: Divulgação via BBC

Ao longo de sua trajetória, ele ajudou a liberar mais de 225 mil metros quadrados de terra, permitindo o uso seguro dessas áreas por comunidades locais.

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Reconhecimento internacional por bravura

O trabalho de Magawa foi reconhecido por uma instituição veterinária do Reino Unido, que concedeu ao animal uma medalha de ouro por bravura. A honraria é tradicionalmente destinada a animais que demonstram coragem e contribuições relevantes em situações de risco.

Segundo especialistas, o desempenho do rato foi considerado excepcional, principalmente pela precisão e eficiência na identificação de explosivos enterrados.

Contexto de risco no Camboja

O Camboja ainda enfrenta os efeitos de conflitos armados ocorridos ao longo do século XX, incluindo a Guerra do Vietnã e períodos de instabilidade interna. Estima-se que milhões de minas terrestres tenham sido espalhadas pelo território, muitas das quais permanecem ativas até hoje.

Esses artefatos representam uma ameaça constante à população, especialmente em áreas rurais, onde acidentes continuam sendo registrados. A remoção desses dispositivos é considerada lenta, complexa e de alto risco.

Treinamento e método de atuação

Magawa pertence à espécie de ratos africanos da bolsa gigante, conhecidos por sua capacidade de aprendizado e olfato apurado. O animal foi treinado desde jovem para identificar compostos químicos presentes em explosivos.

Durante as operações, ele percorria áreas delimitadas preso a um sistema de segurança e sinalizava aos manipuladores quando detectava a presença de minas. Por ser leve, o rato não acionava os dispositivos, o que representa uma vantagem em relação aos métodos tradicionais.

Eficiência superior aos métodos convencionais

De acordo com a instituição que concedeu a medalha, Magawa era capaz de analisar uma área equivalente a uma quadra de tênis em cerca de 30 minutos. Em comparação, um humano com detector de metais pode levar até quatro dias para concluir o mesmo trabalho.

Além da rapidez, o uso do animal reduz a exposição direta de equipes humanas a áreas de risco, tornando o processo mais seguro.

Aposentadoria e condição de saúde

A decisão de aposentar Magawa foi tomada com base em sua idade e na redução gradual de seu ritmo de trabalho. Apesar de ainda estar em boas condições de saúde, especialistas avaliaram que o animal já atingiu o limite recomendado para esse tipo de atividade.

Agora fora das operações, ele deve permanecer sob cuidados, em ambiente controlado, sem exposição a riscos.

Magawa passa a integrar uma lista restrita de animais que desempenharam papel relevante em operações humanitárias. Seu desempenho reforça o uso de métodos alternativos na detecção de explosivos, especialmente em regiões onde o problema ainda persiste.

Segundo organizações do setor, iniciativas semelhantes continuam sendo desenvolvidas em diversos países, com o objetivo de acelerar a remoção de minas terrestres e reduzir acidentes.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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