A hipótese de extinção do cromossomo Y costuma ganhar espaço em debates públicos, mas não há consenso científico sobre esse cenário. A estimativa mais conhecida é da bióloga evolutiva Jenny Graves, que calculou que, mantido o ritmo histórico de perda genética, o cromossomo poderia desaparecer em cerca de 4,5 milhões de anos.
A própria pesquisadora ressalta que se trata de um horizonte evolutivo muito distante, o que relativiza preocupações imediatas. Especialistas também apontam que extrapolações lineares não permitem prever com precisão o destino de estruturas genéticas em escalas de milhões de anos.
Consideravelmente menor que o cromossomo X e com cerca de 50 genes funcionais, o cromossomo Y surgiu a partir de um par de autossomos entre 180 e 300 milhões de anos atrás.
Sua trajetória evolutiva foi marcada pela interrupção da recombinação plena com um cromossomo homólogo, característica que o tornou mais vulnerável à ação de mecanismos como Muller’s ratchet, seleção de fundo e efeito Hill-Robertson, associados ao acúmulo de mutações deletérias e à redução gradual de seu conteúdo gênico.
Evolução do cromossomo Y
Em contraposição às hipóteses de desaparecimento, estudos liderados por Jenn Hughes, do Massachusetts Institute of Technology, apontam que os genes essenciais do Y mantêm estabilidade há aproximadamente 25 milhões de anos.
Após um período inicial de perdas mais acentuadas, o cromossomo pode ter atingido um estágio de equilíbrio evolutivo, sustentado por pressão seletiva que preserva genes fundamentais, como o SRY, relacionado à determinação do sexo masculino e a funções celulares indispensáveis.
Pesquisas em primatas mostram que a perda de genes do cromossomo Y não ocorre de forma contínua e que, em determinadas regiões, ele apresenta taxas de evolução superiores às do X, indicando uma dinâmica estrutural ativa.
Em algumas espécies de mamíferos, como certos roedores e toupeiras, o Y chegou a ser totalmente perdido, sendo substituído por mecanismos alternativos de determinação sexual, o que demonstra que alterações profundas são biologicamente possíveis.
No entanto, não existem evidências de que um cenário semelhante possa ocorrer em humanos. Apesar do consenso sobre a perda significativa de genes ao longo da evolução, o destino final do cromossomo Y permanece incerto e ainda é objeto de debate científico.






