A força do cuscuz ultrapassa a mesa e se projeta no ambiente digital, demonstrando a permanência de uma tradição culinária que atravessa gerações.
Levantamento realizado pela MBRF identificou 36,6 mil menções ao termo “cuscuz nordestino” em mecanismos de busca como Google e Bing, entre janeiro de 2025 e março de 2026, indicando elevado interesse do público pelo prato típico da região.
Grande parte desse volume está associada ao modo de preparo: 7,1 mil consultas incluem termos como “receita” e “como fazer”, sinalizando que o interesse do público está concentrado na prática culinária.
A análise também indica transformações no perfil do consumidor, com novas demandas e formas de interação com o prato tradicional.
Cuscuz viralizado
A análise também aponta mudanças no padrão de consumo e nas formas de interação com o prato, observadas em diferentes ambientes digitais:
- Métodos de preparo alternativos: aumento das buscas por versões feitas no micro-ondas, sem uso de cuscuzeira, além de dúvidas relacionadas ao valor calórico;
- Personalização da receita: cerca de 1,8 mil menções associam o cuscuz a termos como “recheado” e “temperado”, indicando interesse em variações mais elaboradas e adaptadas a novos paladares;
- Plataformas de inteligência artificial: em ferramentas como Gemini e ChatGPT, predominam buscas por qualidade e conveniência, com solicitações de recomendações de kits prontos e produtos congelados;
- Redes sociais: no TikTok e no YouTube, o conteúdo divide-se entre publicações humorísticas (40%), receitas rápidas e práticas (35%) e produções de forte apelo visual, conhecidas como “food porn” (25%).
Elemento cultural
Para além das interações nas plataformas digitais, o cuscuz segue como elemento estruturante da dieta nordestina. Presente em diferentes momentos do dia, do desjejum às refeições noturnas, o prato é servido com manteiga, queijo, ovos, carnes, leite de coco ou em preparações doces, demonstrando versatilidade e forte enraizamento cultural.
Estudos anteriores apontam que consumidores do Nordeste lideram os pedidos de cuscuz em aplicativos de entrega no Brasil, com índice acima da média nacional. O dado evidencia que, mesmo diante da digitalização dos hábitos de compra, a preferência pelo prato tradicional permanece consolidada.






