Em 2025, a participação feminina na música popular registrou retrocesso, segundo o relatório da USC Annenberg Inclusion Initiative. Apesar de avanços observados ao longo da última década, os dados revelam estagnação ou queda em indicadores-chave da indústria, incluindo presença nos charts, autoria de composições e atuação na produção musical.
Mulheres na música
Participação feminina nos charts e artistas solo
- Mulheres representaram 36,1% dos créditos de artistas em 2025, abaixo dos 37,7% de 2024.
- Entre artistas solo, a participação feminina caiu para 34,5%.
- Apesar de superior aos 22,7% registrados em 2012, os números indicam perda de ritmo nos ganhos recentes.
Presença feminina nos bastidores
- Apenas 14,5% dos créditos de composição em 2025 foram de mulheres.
- Apenas 4,4% dos créditos de produção foram de mulheres.
- Metade das músicas do Hot 100 não contou com uma única compositora.
- Mais de 90% das músicas avaliadas não tiveram nenhuma produtora.
- A baixa presença feminina nos bastidores limita influência sobre estética, narrativa, repertório e distribuição de prestígio e renda de longo prazo.
Representatividade racial
- Nos charts, 60,4% das mulheres presentes eram racializadas.
- Compositoras e produtoras não-brancas permanecem quase invisíveis nos bastidores.
Reconhecimento em premiações (Grammy 2026)
- No Grammy 2026, mulheres representaram 19,3% dos indicados.
- Apenas 16,7% das vencedoras do Grammy foram mulheres, sendo duas racializadas.
- Em categorias estratégicas como “Álbum do Ano”, a participação feminina foi de 6,8%.
- Nenhuma mulher foi indicada na categoria “Produtor do Ano”.
O relatório evidencia que avanços visíveis em termos de presença nas paradas e reconhecimento racial não se traduzem em mudanças profundas na estrutura de criação e produção musical. A análise reforça a importância de se observar os bastidores, onde se concentram as decisões que moldam a cultura pop, a distribuição de renda e o prestígio dentro da indústria musical.






