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Pensamento negativo repetitivo pode estar diretamente ligado ao aumento do risco de Alzheimer

Por Leticia Florenço
20/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Pensamento - Reprodução/iStock

Pensamento - Reprodução/iStock

Uma pesquisa internacional trouxe novos indícios de que padrões mentais podem influenciar diretamente a saúde do cérebro.

Cientistas da University College London identificaram que o pensamento negativo repetitivo pode estar associado ao aumento do risco de desenvolver a Doença de Alzheimer, forma mais comum de demência no mundo.

O estudo foi liderado pela pesquisadora Natalie Marchant e acompanhou 292 pessoas com mais de 55 anos ao longo de quatro anos. Durante esse período, os participantes passaram por avaliações cognitivas e exames cerebrais, permitindo aos cientistas observar mudanças no funcionamento do cérebro.

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Os resultados indicaram que indivíduos com maior tendência a pensamentos negativos recorrentes, como preocupação constante e ruminação, apresentaram pior desempenho em testes de memória, atenção e raciocínio.

Segundo os pesquisadores, esse grupo também demonstrou declínio cognitivo mais acelerado, especialmente em funções ligadas à memória, considerada um dos primeiros sinais da doença.

Alterações biológicas no cérebro

Além dos testes comportamentais, o estudo identificou alterações físicas no cérebro dos participantes. Aqueles com padrões mais intensos de pensamento negativo apresentaram maior acúmulo de proteínas tau e beta-amiloide, substâncias associadas ao desenvolvimento do Alzheimer.

Esses marcadores são considerados fundamentais para o diagnóstico da doença e indicam processos de degeneração neuronal.

Diferença em relação à ansiedade e depressão

Embora condições como ansiedade e depressão também tenham sido analisadas, os pesquisadores observaram que elas não apresentaram a mesma relação direta com os marcadores cerebrais do Alzheimer.

De acordo com o estudo, o fator determinante parece ser a repetição constante dos pensamentos negativos, e não apenas a presença de sintomas emocionais isolados.

Estresse como fator de risco

Os cientistas apontam o estresse crônico como possível mecanismo por trás dessa relação. Pensamentos negativos persistentes mantêm o organismo em estado de alerta, elevando níveis de cortisol e podendo impactar a pressão arterial e a saúde vascular.

Com o tempo, esse processo pode comprometer regiões do cérebro responsáveis pela memória e pelo aprendizado.

Estratégias de prevenção

Apesar dos achados, especialistas destacam que o pensamento negativo repetitivo pode ser tratado. Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental e práticas de atenção plena (mindfulness) têm sido apontadas como eficazes na redução desse padrão mental.

Além disso, hábitos como atividade física regular, alimentação equilibrada e convívio social também contribuem para a proteção da saúde cognitiva.

Embora ainda sejam necessárias novas pesquisas para confirmar a relação de causa e efeito, o estudo amplia o entendimento sobre fatores de risco modificáveis para a Doença de Alzheimer e aponta caminhos para intervenções precoces.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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