Uma prática apelidada de “plastic eating trend”, ou “dieta do plástico”, teve origem no Douyin, versão chinesa do TikTok, e rapidamente se espalhou para o TikTok e outras plataformas, como o X.
Alavancada por hashtags e pelos mecanismos algorítmicos das redes sociais, a tendência ganhou alcance internacional, sobretudo entre adolescentes e jovens.
Nos vídeos, usuários envolvem alimentos em filme plástico ou colocam uma película sobre a boca para mastigar e depois cuspir a comida, sob a alegação de que seria possível “enganar o cérebro” e experimentar o sabor sem ingerir calorias.
Divulgada como “truque” ou estratégia para emagrecer, a prática não possui respaldo científico e se apoia em uma premissa considerada enganosa do ponto de vista da saúde.
Riscos de mastigar plástico
Riscos físicos imediatos
- Asfixia e sufocamento por inalação acidental de plástico.
- Liberação e ingestão inadvertida de micro ou macroplásticos.
- Irritação do trato digestivo.
- Possível obstrução intestinal por fragmentos maiores.
- Desconfortos digestivos pela ativação de enzimas e secreções gástricas sem ingestão real de alimento.
Riscos nutricionais e metabólicos
- Ausência de saciedade efetiva.
- Nenhum impacto calórico mensurável.
- Reforço de padrões de restrição alimentar.
- Desregulação dos sinais fisiológicos de fome e saciedade.
- Possível atraso no crescimento e no desenvolvimento puberal em adolescentes.
- Alterações hormonais, como interrupção do ciclo menstrual.
Impactos na saúde mental
- Agravamento ou mascaramento de transtornos alimentares.
- Aumento de ansiedade e culpa associadas à alimentação.
- Relação disfuncional com comida, prazer e imagem corporal.
- Banalização de comportamentos reconhecidos como clinicamente problemáticos.
Vulneráveis e alertas
Adolescentes são mais vulneráveis devido ao desenvolvimento cerebral em curso, à busca por aprovação social e ao alto consumo de redes. Algoritmos reforçam conteúdos sobre dietas e magreza, criando bolhas de exposição.
Sinais de alerta incluem mudanças na relação com a comida, rituais alimentares incomuns, evitação de alimentos, obsessão por calorias e peso, além de ansiedade, alterações de humor e isolamento social.
A resposta exige atuação conjunta de saúde, família e maior responsabilização das plataformas.






