Entre os itens mais curiosos e impressionantes preservados no Brasil, está uma múmia egípcia que atravessou milênios e continentes até chegar ao país.
Conhecida como “Tothmea”, essa relíquia histórica chama atenção não apenas por sua conservação, mas principalmente por sua idade, que viveu cerca de 500 anos antes de Jesus Cristo.
A múmia “Tothmea” tem aproximadamente 2.700 anos, sendo datada entre o final do Terceiro Período Intermediário e o início do Período Tardio do Egito Antigo. Isso significa que ela viveu entre os séculos VII e VI a.C., em uma época marcada por transformações políticas e religiosas no Egito.
Apesar de sua importância histórica, pouco se sabe sobre sua identidade real. O nome “Tothmea” não é original, foi atribuído em 1888 como uma homenagem aos faraós chamados Tutmés.
Onde ela está hoje
Atualmente, a múmia está exposta no Museu Egípcio e Rosacruz, localizado na cidade de Curitiba. Trata-se da única múmia egípcia inteira em exibição permanente no Brasil, tornando-se uma atração única no país.
O museu, ligado à Ordem Rosacruz, recriou um ambiente semelhante às tumbas do Egito Antigo, com pinturas e elementos simbólicos que ajudam a contextualizar a experiência.
Registros antigos indicam que havia inscrições em seu sarcófago associando Tothmea ao culto da deusa Ísis. Isso sugere que ela pode ter exercido funções religiosas, possivelmente como cantora ou musicista em um templo.
No entanto, historiadores ainda não conseguem afirmar com precisão sua posição social ou seu verdadeiro nome.
O processo de mumificação
Tothmea passou por um processo completo de mumificação, típico das práticas egípcias:
- O cérebro foi removido pelas narinas
- Órgãos como intestinos, fígado e estômago foram retirados
- Resinas vegetais foram usadas para conservação
- Curiosamente, os olhos foram mantidos
Essas informações foram confirmadas por exames de tomografia realizados na Universidade Federal do Paraná em 1999.
Uma trajetória cheia de reviravoltas
Antes de chegar ao Brasil, a múmia percorreu um longo caminho. Foi encontrada em Tebas, passou por colecionadores e museus nos Estados Unidos, chegou a ser desenfaixada em público no século XIX e ficou armazenada por anos em locais inadequados, como celeiros e porões.
Somente em 1995, após décadas de descuido, foi finalmente doada ao museu brasileiro pelo Museu Rosacruz de San Jose.
Reconstrução de um rosto perdido
Em 2013, um projeto de reconstrução facial trouxe uma nova dimensão à história de Tothmea. O trabalho, liderado por Cícero Moraes, utilizou tecnologia para recriar as feições da múmia com base em dados do crânio.
O resultado aproximou ainda mais o público dessa figura milenar, transformando um corpo preservado em uma pessoa com identidade visual.
O que torna Tothmea tão especial é a combinação de fatores: sua antiguidade, sua trajetória incomum e os mistérios que ainda envolvem sua vida. Mais antiga que Jesus Cristo, ela permanece como um símbolo vivo de um passado distante que ainda tem muito a revelar.





