Mais Tendências - Tribuna de Minas
  • Cidade
  • Contato
  • Região
  • Política
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura
  • Empregos
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados

Tratamento de idosos com câncer avançado exige nova abordagem

Por Leticia Florenço
18/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
0
Hospital - Reprodução/iStock

Hospital - Reprodução/iStock

O avanço da medicina trouxe inúmeras possibilidades para o tratamento do câncer, mas, quando se trata de pacientes idosos com doença avançada, surge uma questão essencial: o que realmente deve ser prioridade nesse momento da vida?

Um estudo publicado na revista JAMA Oncology revelou que a maioria desses pacientes valoriza mais a qualidade de vida do que o prolongamento da existência, o que desafia diretamente o modelo tradicional de cuidado.

A pesquisa, conduzida pelo médico Daniel R. Richardson, analisou 706 pessoas com 70 anos ou mais diagnosticadas com câncer avançado. Os resultados foram cerca de 71,7% dos participantes afirmaram preferir manter sua qualidade de vida, enquanto apenas 8,4% priorizaram viver por mais tempo.

Esse contraste revela uma mudança importante na forma como muitos idosos encaram o tratamento e suas consequências.

Quando viver melhor se torna mais importante do que viver mais

Para muitos pacientes, especialmente em estágios avançados da doença, o tempo adicional de vida pode vir acompanhado de efeitos colaterais intensos, hospitalizações frequentes e perda de autonomia. Nesse contexto, a escolha por preservar o bem-estar físico e emocional ganha força.

O estudo também destacou que não houve diferenças em eventos adversos ou hospitalizações entre aqueles que priorizavam qualidade de vida e os que optavam por prolongar a sobrevida.

Isso levanta um questionamento importante: será que os tratamentos mais agressivos realmente oferecem benefícios proporcionais ao custo físico e emocional que impõem?

A influência da lucidez e das condições cognitivas

Um dos pontos mais interessantes observados foi o impacto da saúde cognitiva nas decisões dos pacientes.

Aqueles sem comprometimento cognitivo demonstraram maior tendência a priorizar a qualidade de vida, o que sugere que a clareza mental pode influenciar diretamente na forma como o indivíduo avalia suas opções e define suas prioridades.

Essa constatação reforça a importância de considerar aspectos além do diagnóstico clínico, incluindo o estado mental e emocional, na hora de definir estratégias de tratamento.

Educação e percepção sobre o tratamento

Outro fator relevante identificado foi a relação entre nível educacional e preferência de cuidado. Pacientes com ensino superior ou pós-graduação mostraram maior inclinação a priorizar o bem-estar em vez da extensão da vida.

Esse dado pode refletir um maior acesso à informação ou uma compreensão mais aprofundada dos riscos e benefícios envolvidos nas diferentes abordagens terapêuticas.

Ainda assim, independentemente de idade, sexo, renda ou estado civil, a tendência geral permaneceu a mesma: a maioria dos idosos prefere viver com mais qualidade.

Um sistema que ainda precisa evoluir

Apesar dessas evidências, o sistema de saúde ainda opera, em grande parte, com foco na extensão da sobrevida. Tratamentos agressivos continuam sendo frequentemente indicados, mesmo quando podem não estar alinhados com os desejos do paciente.

Os próprios autores do estudo apontam uma possível falha na forma como os cuidados oncológicos são oferecidos, destacando a falta de responsividade às preferências individuais.

Isso evidencia a necessidade urgente de mudanças na abordagem médica, especialmente na oncologia geriátrica.

O cuidado centrado na pessoa como caminho

Diante desse cenário, cresce a importância de um modelo de cuidado centrado no paciente, que leve em consideração suas vontades, limites e valores. Mais do que combater a doença, trata-se de garantir dignidade, conforto e autonomia durante o tratamento.

Isso inclui a valorização de cuidados paliativos, o controle eficaz dos sintomas e o apoio psicológico, permitindo que o paciente viva seus dias com mais tranquilidade e menos sofrimento.

Respeitar a escolha por qualidade de vida não é desistir, mas sim reconhecer que, em muitos casos, viver bem pode ser mais significativo do que simplesmente viver mais.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
LogoCaro leitor,

O acesso ao conteúdo será liberado imediatamente após o anúncio.

Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

Próximo post
Reprodução: X / Fluminense

Fluminense fez a contratação mais cara da história e ele ainda não convenceu o treinador

Confira!

Pesquisa desafia crença popular sobre eficácia do jejum no emagrecimento

Pesquisa desafia crença popular sobre eficácia do jejum no emagrecimento

31/05/2026
Estudo revela quem sofre mais com calotes entre bancos tradicionais e fintechs

Estudo revela quem sofre mais com calotes entre bancos tradicionais e fintechs

31/05/2026
multa por retrovisor?

Esses motoristas não vão precisar de nova habilitação para dirigir carros elétricos e híbridos mais pesados

31/05/2026

Copyright Tribuna de Minas. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a autorização escrita da Tribuna de Minas

Contato

Bem-vindo de volta!

Faça login abaixo

Esqueceu a senha?

Recupere sua senha

Insira seu nome de usuário ou endereço de e-mail para redefinir sua senha.

Log In

Adicionar nova Playlist

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Contato

Tribuna de Minas