O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou a Profilaxia Pós-Exposição com doxiciclina (DoxiPEP), uma iniciativa inédita para prevenir infecções sexualmente transmissíveis bacterianas, com ênfase na sífilis adquirida e na clamídia.
A medida recebeu aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que avaliou a eficácia e segurança do antibiótico quando utilizado após relações sexuais sem preservativo. Os números reforçam a importância da ação.
Em 2024, o Brasil registrou aproximadamente 256.830 casos de sífilis adquirida, equivalente a uma taxa de detecção de 120,8 casos por 100 mil habitantes.
No período de 2010 até 30 de junho de 2025, foram notificados 1.902.301 casos da doença em todo o país, segundo informações do Ministério da Saúde. A sífilis é reconhecida como um dos maiores desafios de saúde pública atualmente, tanto no Brasil quanto internacionalmente.
Remédio contra sífilis no SUS
O tratamento com DoxiPEP consiste na ingestão de dois comprimidos de 100 mg de doxiciclina imediatamente após uma exposição sexual de risco, atuando como uma barreira química que impede a instalação da bactéria causadora da sífilis.
Estudos mostram que, quando administrada de forma adequada, a profilaxia reduz significativamente as chances de infecção.
O programa será inicialmente direcionado a grupos considerados de maior vulnerabilidade, incluindo:
- Homens cisgênero gays, bissexuais e outros HSH
- Mulheres transgênero
Para ter acesso à DoxiPEP, os indivíduos devem ter registrado ao menos um episódio de IST nos últimos 12 meses, conforme critérios de eficácia e segurança definidos por evidências científicas. Além disso, o governo está financiando estudos nacionais para avaliar a utilização da profilaxia em:
- Mulheres cisgênero
- Homens transgênero
A implementação da DoxiPEP depende da pactuação de financiamento na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e da logística das redes de saúde, com monitoramento clínico para riscos como resistência bacteriana.
Segundo o Ministério da Saúde, a medida representa avanço no combate à sífilis e outras ISTs, ampliando as ferramentas preventivas do SUS.






