Um estudo conduzido por pesquisadores da Texas A&M University, publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry, utilizou sistemas hidropônicos controlados para examinar como a alface reage à coexposição de nanoplásticos e cádmio.
Os resultados indicaram que alfaces expostas simultaneamente a esses dois contaminantes acumulam até 61% mais cádmio nas folhas comestíveis do que aquelas expostas apenas ao metal pesado.
Esses achados ressaltam um risco adicional à segurança alimentar, já que nanoplásticos presentes no ambiente podem aumentar significativamente a absorção de metais pesados em hortaliças folhosas amplamente consumidas, como a alface.
Partículas de plástico na alface
- Estresse causado pelos nanoplásticos: Fragmentos microscópicos provocam estresse oxidativo, alterando o desenvolvimento das raízes e comprometendo mecanismos de defesa da planta.
- Aumento da absorção de nanoplásticos: A concentração de nanoplásticos nas folhas pode subir cerca de 67% na presença de cádmio, possivelmente devido à maior ramificação das raízes e absorção passiva em zonas de crescimento ativo.
- Resposta normal da alface ao cádmio: Sem nanoplásticos, a planta ramifica suas raízes para evitar áreas contaminadas, retendo a maior parte do metal nas raízes.
- Alteração do padrão de transporte: A coexposição a nanoplásticos facilita o deslocamento do cádmio para as folhas comestíveis.
- Presença generalizada de plásticos no solo: Nanoplásticos e microplásticos estão presentes em solos agrícolas devido a fertilizantes orgânicos, irrigação e resíduos plásticos, podendo ser absorvidos pelas plantas; a extensão desse processo em solos naturais ainda é estudada.
- Efeitos em outras espécies: Em plantas como o amaranthus, a combinação de plásticos e metais pesados aumenta a absorção de contaminantes, prejudica crescimento, reduz absorção de nutrientes essenciais e impacta parâmetros fisiológicos, ameaçando a produtividade agrícola.
Próximos passos
Com base nesses resultados, os pesquisadores reforçam a necessidade de revisar os limites considerados seguros de cádmio em solos e sistemas agrícolas, considerando a presença de nanoplásticos.
Eles apontam ainda possíveis estratégias de mitigação, como a aplicação de biochar (carvão vegetal modificado) no solo, capaz de reduzir a absorção de fragmentos plásticos pelas plantas e diminuir os efeitos tóxicos.
Os próximos passos da equipe incluem identificar regiões nos Estados Unidos com maior risco de contaminação e conduzir testes em condições agrícolas reais para avaliar se os achados observados em laboratório se repetem no campo.






