Pesquisadores mostram que o envelhecimento cerebral varia, pois enquanto muitos sofrem deterioração e perda de memória, alguns “superidosos” mantêm raciocínio e memória de pessoas até 30 anos mais jovens.
Um estudo publicado na revista Nature, conduzido por Tamar Gefen , Orly Lazarov e equipe, investigou a neurogênese em adultos, ou seja, a capacidade do cérebro de gerar novos neurônios.
Foram analisados cérebros doados por quatro grupos: adultos com cognição normal, com comprometimento cognitivo leve, com Alzheimer e superidosos, com foco no hipocampo, região central para aprendizado, memória e nascimento de novos neurônios.
Memória dos superidosos
Três tipos de células analisadas para avaliar a neurogênese:
- Células-tronco neurais – representando os “bebês” do cérebro.
- Neuroblastos – comparáveis a “adolescentes”.
- Neurônios imaturos – considerados “quase adultos”.
A presença dessas células indica atividade contínua de formação de novos neurônios.
Superidosos:
- Aproximadamente dobro de neurônios novos em relação a adultos mais velhos com cognição normal.
- 2,5 vezes mais neurônios novos que indivíduos com Alzheimer.
- Neurônios imaturos apresentam características genéticas e epigenéticas que favorecem maior resiliência ao envelhecimento.
Alzheimer:
- Mais células-tronco neurais, mas menos neuroblastos e neurônios imaturos.
- Indica interrupção da neurogênese.
Segundo Hongjun Song, esses achados abrem caminho para potenciais terapias que poderiam reativar células-tronco dormentes.
Implicações
Embora o estudo forneça novas evidências sobre a plasticidade cerebral em idade avançada, alguns especialistas, como Shawn Sorrells, questionam a metodologia e reforçam a necessidade de validação adicional.
Por outro lado, Bryan Strange observa que o hipocampo dos superidosos costuma ser maior e mais conectado, sugerindo que fatores estruturais também desempenham papel no superenvelhecimento.
Essas descobertas oferecem caminhos promissores para pesquisas futuras, buscando compreender como os neurônios imaturos dos superidosos sustentam a memória superior e como essa atividade poderia ser explorada em terapias para preservar a cognição em outras pessoas.






