O Brasil é um dos maiores produtores de proteína animal do planeta, e parte importante dessa força vem de polos agroindustriais altamente especializados.
Entre eles, destaca-se a cidade de Chapecó, localizada no Oeste catarinense. O município estabeleceu uma posição estratégica dentro da cadeia produtiva de carnes e se tornou referência nacional no setor.
Com uma produção estimada em aproximadamente 588 mil toneladas de carne em 2025, a cidade alcançou um índice capaz de alimentar toda a população brasileira cerca de 14 vezes em uma única refeição.
Esse desempenho impressionante coloca Chapecó no centro da indústria de proteína animal do estado e entre os principais polos produtivos do país.
A produção inclui diferentes tipos de carne, como suínos, frangos, perus e bovinos, formando um complexo agroindustrial que envolve centenas de produtores, frigoríficos e empresas ligadas ao agronegócio.
Polo estratégico da proteína animal
A consolidação de Chapecó como referência na produção de carnes é resultado de décadas de desenvolvimento da agroindústria no Oeste de Santa Catarina. A região se transformou em um dos maiores centros de processamento de proteína animal do Brasil, reunindo infraestrutura, tecnologia e mão de obra especializada.
Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela presença de grandes frigoríficos e cooperativas, que estruturaram uma cadeia produtiva integrada com produtores rurais da região.
Assim, mesmo quando os animais são criados em municípios vizinhos, muitos acabam sendo processados em frigoríficos localizados em Chapecó.
Diferença entre produção e exportação
Apesar do grande volume produzido, especialistas apontam que não é possível afirmar com precisão que Chapecó seja o maior exportador de carne de Santa Catarina.
Isso ocorre por causa da metodologia utilizada pelo sistema de comércio exterior do país, ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Nesse sistema, a exportação é registrada de acordo com o município onde está sediado o CNPJ da empresa exportadora, e não necessariamente onde o produto foi fabricado.
Na prática, muitas companhias mantêm estruturas administrativas próximas aos portos. Em Santa Catarina, por exemplo, várias empresas têm sede em Itajaí, cidade que concentra operações logísticas voltadas ao comércio internacional.
Assim, carnes produzidas em Chapecó ou em outras regiões podem acabar sendo contabilizadas oficialmente como exportadas a partir de Itajaí, criando distorções na origem estatística da produção.
Produção muito superior à de outros municípios
Mesmo sem um ranking nacional garantido, Chapecó aparece com vantagem dentro de Santa Catarina.
Estimativas da Epagri/Cepa indicam que o segundo município catarinense em volume de produção apresenta resultados mais de 50% inferiores ao registrado em Chapecó.
Esse cenário evidencia a forte concentração da cadeia produtiva de carnes no Oeste catarinense, região onde a integração entre produtores rurais e indústrias frigoríficas se tornou um dos pilares da economia local.
Suinocultura lidera a produção
Entre todas as carnes produzidas no município, a carne suína é o grande destaque. Em 2025, cerca de 4,39 milhões de suínos foram abatidos em Chapecó. Esse volume corresponde a aproximadamente 26,5% de todos os suínos produzidos em Santa Catarina.
Em termos de produção, isso representou cerca de 410,5 mil toneladas de carne suína, garantindo ao município a liderança estadual nesse segmento.
Curiosamente, apenas uma pequena parte desses animais foi criada dentro do próprio município. A maior parte vem de dezenas de cidades da região e até de outros estados, demonstrando como Chapecó funciona como um grande centro de processamento da cadeia suinícola.
Avicultura também movimenta o setor
A produção de frango também desempenha papel relevante na economia local. No ano de 2025, os frigoríficos de Chapecó registraram o abate de cerca de 50,4 milhões de frangos, resultando em aproximadamente 105,8 mil toneladas de carne.
Esse volume representa cerca de 5,5% da produção estadual. No ranking catarinense de abate de aves, Chapecó aparece entre os principais municípios produtores. O destaque estadual nesse segmento pertence à cidade de Capinzal, que possui um volume ainda maior de aves abatidas.
Chapecó concentra toda a produção de perus do estado
Um dos dados mais curiosos da cadeia produtiva de carnes catarinense é que Chapecó concentra praticamente toda a produção de carne de peru do estado. Em 2025, aproximadamente 8,9 milhões de perus foram abatidos no município, gerando cerca de 70,7 mil toneladas de carne.
Isso significa que 100% da produção catarinense dessa proteína ocorre em Chapecó, reforçando o peso do município na indústria nacional de carnes. Além disso, o polo industrial da cidade também figura entre os principais centros brasileiros dedicados ao processamento dessa ave.
Carne bovina tem participação menor
Diferentemente dos suínos e das aves, a produção de carne bovina possui participação mais modesta na economia local.
No mesmo período, cerca de 7 mil bovinos foram abatidos, resultando em aproximadamente 1,6 mil toneladas de carne bovina. Esse volume é bem menor se comparado a outros municípios catarinenses que possuem forte tradição na pecuária de corte.
Segundo especialistas, parte dos bovinos criados na zona rural de Chapecó acaba sendo enviada para frigoríficos localizados em outras cidades, o que reduz o volume de abates registrados no próprio município.
Um dos maiores polos agroindustriais do Brasil
Mesmo com diferenças entre os tipos de produção, o conjunto das atividades consolida Chapecó como um dos maiores polos agroindustriais do país.
A cidade reúne indústrias, cooperativas, centros logísticos e milhares de produtores rurais integrados à cadeia produtiva de proteína animal. Esse sistema permite alcançar altos níveis de eficiência e grande capacidade de processamento.
O resultado é um município que, sozinho, consegue produzir centenas de milhares de toneladas de carne por ano, abastecendo tanto o mercado interno quanto diversos países ao redor do mundo.






