Uma safra recorde de café prevista para o ano de 2026 dificilmente trará alívio imediato ao orçamento das famílias brasileiras. A Companhia Nacional de Abastecimento projeta uma produção de 66 milhões de sacas de 60 quilos, resultado da bienalidade positiva e das condições climáticas favoráveis.
Mesmo com o aumento da oferta, os estoques globais permanecem ajustados, de modo que grande parte da produção adicional deverá ser destinada à recomposição das reservas e ao atendimento da crescente demanda externa, limitando a redução dos preços ao consumidor no varejo.
Mercado café
- Demanda asiática em crescimento – O consumo de café na Ásia, especialmente na China, pressiona o mercado brasileiro.
China como grande comprador – O país é o sexto maior comprador de café brasileiro. - Preferências dos jovens chineses – Interesse por cafés gelados e misturas com ingredientes locais impulsiona a abertura de novas cafeterias.
- Expansão de cafeterias na região – No leste asiático, crescimento de 19% em lojas de café em um ano; na China, aumento de 31%, totalizando 87 mil estabelecimentos.
- Posição estratégica do Brasil – Maior produtor mundial de café, detendo 38% do mercado global.
- Exposição à volatilidade de preços – A crescente demanda externa contribui para oscilações nos preços enfrentados pelos consumidores brasileiros.
- Problemas logísticos – Atrasos em portos e escassez de contêineres geraram prejuízos de R$ 66 milhões para exportadores, que impactam o varejo.
Preço pros brasileiros
No início de 2026, as cotações de café no mercado atacadista brasileiro vêm registrando tendência de queda em relação ao final de 2025. Dados do indicador CEPEA/ESALQ mostram que, em 23 de fevereiro, a saca de café arábica estava cotada a cerca de R$ 1.781,98.
Mesmo com a queda nos preços de atacado, os valores no varejo não diminuem tão rapidamente. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) indica que os preços para o consumidor devem continuar altos em 2026, mesmo com a previsão de produção maior.
Isso acontece porque os preços já incorporaram os aumentos acumulados em 2024 e 2025, anos em que o café foi um dos produtos que mais encareceram a cesta básica.






