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Novo spray para nariz pode proteger contra vírus, bactérias e até ácaros

Por Leticia Florenço
28/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Spray no Nariz - Reprodução/iStock

Spray no Nariz - Reprodução/iStock

Uma inovação científica chama a atenção com pesquisadores da Universidade Stanford que desenvolveram uma vacina experimental aplicada em forma de spray nasal capaz de proteger contra vírus, bactérias e até ácaros domésticos.

Diferentemente das vacinas tradicionais, que geralmente miram um único patógeno, a nova formulação foi projetada para fortalecer amplamente o sistema imunológico das vias respiratórias, oferecendo uma defesa mais abrangente logo na porta de entrada de muitas infecções.

O estudo, publicado na revista Science em 19 de fevereiro, ainda está em fase inicial, mas já é considerado promissor.

Como funciona a nova tecnologia intranasal

O imunizante, denominado GLA-3M-052-LS+OVA, atua de forma diferente dos métodos convencionais. Em vez de ensinar o organismo a reconhecer apenas um invasor específico, a vacina estimula as defesas naturais dos pulmões, conectando dois importantes braços do sistema imunológico.

A formulação reproduz sinais normalmente emitidos por células T, ativando células imunes inatas diretamente no tecido pulmonar.

Um dos componentes é a ovalbumina, proteína derivada do ovo, que ajuda a atrair células T para as vias respiratórias. Com isso, o organismo fica em estado de prontidão ampliada contra múltiplas ameaças.

Outro diferencial é a via de aplicação. Por ser administrada como spray nasal, a vacina atua justamente no local onde muitos microrganismos entram no corpo, o que pode aumentar a eficiência da resposta imunológica inicial.

Resultados promissores em testes com animais

Até agora, os experimentos foram realizados apenas em camundongos. Os animais receberam a vacina em forma de gotas nasais, com alguns grupos recebendo doses múltiplas em intervalos semanais. Depois da imunização, foram expostos a diferentes agentes infecciosos.

Os resultados impressionaram:

  • Proteção contra SARS-CoV-2 e outros coronavírus
  • Defesa contra bactérias hospitalares como Staphylococcus aureus e Acinetobacter baumannii
  • Redução de reações alérgicas provocadas por ácaros domésticos

Camundongos vacinados apresentaram carga viral até 700 vezes menor nos pulmões. Além disso, todos sobreviveram às exposições, enquanto animais não vacinados frequentemente desenvolveram inflamação grave, perderam peso de forma acentuada e, em muitos casos, morreram.

Efeito também contra alergias respiratórias

Um ponto que chamou a atenção dos cientistas foi a resposta contra alérgenos. Quando expostos a proteínas de ácaros, causa comum de asma alérgica, os camundongos não vacinados desenvolveram forte reação do tipo Th2 e acúmulo de muco nas vias aéreas.

Já os animais imunizados apresentaram resposta alérgica muito mais branda e mantiveram as vias respiratórias limpas. Esse achado sugere que a tecnologia pode ir além da prevenção de infecções, abrindo caminho para estratégias contra doenças alérgicas respiratórias.

Quanto tempo dura a proteção

Nos experimentos, três doses foram suficientes para manter os camundongos protegidos por pelo menos três meses contra vírus e bactérias testados. Segundo os pesquisadores, a imunidade inata sustentada foi o principal mecanismo por trás desse efeito prolongado.

A expectativa é que, em humanos, o esquema possa ser ainda mais simples. O professor Bali Pulendran, autor sênior do estudo, estima que duas doses em spray nasal possam ser suficientes para gerar proteção, hipótese que ainda precisa ser confirmada.

Próximos passos

Apesar do entusiasmo, os próprios cientistas ressaltam que a tecnologia ainda precisa passar por etapas rigorosas. O próximo movimento será a realização de ensaios clínicos de Fase I para avaliar a segurança em humanos.

Se os resultados forem positivos, estudos maiores deverão medir eficácia real contra infecções e alergias. Só após essas etapas a vacina poderá ser considerada para uso amplo.

Com financiamento adequado, os pesquisadores acreditam que uma vacina respiratória universal baseada nesse conceito poderia se tornar realidade em cinco a sete anos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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