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Fase final de votação para OAB de médicos após aprovação do Senado

Por Leticia Florenço
23/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Médico - Reprodução/iStock

Médico - Reprodução/iStock

A proposta que cria um exame obrigatório para médicos recém-formados voltou ao centro das discussões no Senado e pode mudar profundamente o acesso à profissão no Brasil.

O tema ganhou ainda mais força após a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que apontaram desempenho insatisfatório em mais de 30% dos cursos avaliados.

Em meio a esse cenário, parlamentares, entidades médicas e instituições de ensino travam um debate intenso sobre qual modelo é mais eficaz para garantir qualidade na formação e segurança para os pacientes.

O que propõe o novo exame de proficiência

O Projeto de Lei nº 2.294/2024, apresentado pelo senador Astronauta Marcos Pontes, cria o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed).

Pela proposta, a aprovação nessa prova se tornaria condição obrigatória para que o médico obtenha registro nos Conselhos Regionais de Medicina. Na prática, o diploma deixaria de ser suficiente para o exercício profissional.

O relator da matéria, Dr. Hiran, afirma que a iniciativa busca estabelecer um filtro mínimo de qualidade, semelhante ao exame aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil. Para os defensores do projeto, o objetivo central é proteger a população diante do crescimento acelerado de cursos médicos no país.

Etapa final na Comissão de Assuntos Sociais

O texto já passou por ajustes e agora aguarda votação em turno suplementar na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

Essa etapa é considerada decisiva antes do eventual envio da proposta à Câmara dos Deputados. A votação chegou a ser adiada após pedido de vista de parlamentares contrários, o que evidencia o clima de impasse.

Se aprovado na comissão, o projeto avançará para a próxima fase legislativa, onde deverá enfrentar novo escrutínio político e técnico.

O papel atual do Enamed

Enquanto o Profimed ainda está em discussão, o Enamed já é uma realidade. Aplicado pela primeira vez em 2025 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o exame funciona como a modalidade do Enade para cursos de medicina.

A avaliação mede se estudantes concluintes possuem as competências esperadas para a profissão e também pode ser utilizada em processos seletivos de residência médica.

No entanto, hoje o resultado do Enamed não impede o médico de exercer a profissão, ponto que os defensores do Profimed consideram uma fragilidade do sistema.

Números que acenderam o alerta

Os dados consolidados divulgados pelo Ministério da Educação no início de 2026 reforçaram a preocupação. Entre 351 cursos avaliados, 32% obtiveram desempenho considerado insatisfatório. Ao mesmo tempo, cerca de 67% dos estudantes foram classificados como proficientes.

O desempenho variou bastante conforme o tipo de instituição. Universidades federais e estaduais apresentaram os melhores resultados, enquanto cursos municipais e parte das instituições privadas ficaram abaixo da média.

O próprio MEC destaca que aproximadamente 80% das graduações em medicina no país estão em instituições privadas, o que amplia o impacto do debate.

Argumentos dos defensores da nova prova

Para o autor do projeto, o crescimento desordenado de faculdades de medicina exige uma resposta mais rigorosa do Estado. Marcos Pontes sustenta que o país não pode correr o risco de formar profissionais sem a preparação adequada para lidar com vidas humanas.

Na mesma linha, Dr. Hiran afirma que há uma crise na formação médica brasileira e classifica o Profimed como uma medida histórica para proteger a população. Para o grupo favorável, o exame funcionaria como um marco de qualidade e ajudaria a pressionar cursos com baixo desempenho.

Resistência e críticas dentro do Senado

A proposta, porém, está longe de consenso. Senadores como Rogério Carvalho e Zenaide Maia defendem que o país deve fortalecer o Enamed em vez de criar uma nova prova.

Outro ponto de divergência é quem deve aplicar o exame. O projeto atribui essa função ao Conselho Federal de Medicina (CFM), enquanto críticos argumentam que o Ministério da Educação deveria ter papel central, por ser responsável pela avaliação do ensino superior.

Medidas já adotadas contra cursos mal avaliados

Mesmo sem impedir o exercício profissional, o Enamed já começou a gerar consequências regulatórias. Cursos com desempenho muito baixo passaram a sofrer medidas de supervisão que variam conforme o nível de risco identificado.

Entre as ações previstas estão suspensão de novos ingressos, redução de vagas, proibição de expansão e bloqueio de acesso ao Fies e a outros programas federais. O ministro Camilo Santana reforçou que a intenção do exame é diagnóstica, voltada à melhoria da qualidade, e não à punição direta dos estudantes.

O que está em jogo nos próximos meses

Caso a Comissão de Assuntos Sociais confirme a aprovação do projeto, a proposta seguirá para análise da Câmara dos Deputados, onde o debate deve se intensificar.

Independentemente do desfecho, a discussão já sinaliza uma tendência clara: a formação médica brasileira passará por mecanismos de avaliação cada vez mais rigorosos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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