Desde 1997, a bióloga Tatiana Coelho Sampaio dedica sua carreira a uma missão que parece saída de um roteiro de ficção científica: devolver movimentos a pessoas com lesões na medula espinhal.
À frente do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, a cientista lidera pesquisas pioneiras com a polilaminina, uma versão modificada da laminina, proteína naturalmente produzida pelo corpo humano.
O trabalho da pesquisadora não se limita aos laboratórios cariocas. A polilaminina, resultado de quase 30 anos de investigação, transformou-se recentemente em um medicamento 100% brasileiro, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a fase 1 de estudos clínicos.
Mostra Mulheres Extraordinárias
No próximo dia 12 de março, a cientista estará em Patrocínio, no Alto Paranaíba, para participar da “Mostra Mulheres Extraordinárias”, realizada pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM).
O evento gratuito, aberto à comunidade acadêmica e ao público em geral, pretende dar visibilidade a histórias de mulheres que transformaram a sociedade, mas que muitas vezes permanecem fora dos registros históricos oficiais.
A escolha de Tatiana como convidada foi feita pelos próprios universitários, que a elegeram em votação interna.
Professora Bianca Gonçalves, coordenadora do evento, destacou que a mostra busca “contar histórias de mulheres que a história não conta”, reforçando a importância de modelos inspiradores no cenário científico brasileiro.
A participação da pesquisadora será dividida em dois momentos: um direcionado aos acadêmicos e outro ao público geral, com transmissão ao vivo pela internet.
Polilaminina
O desenvolvimento da polilaminina começou com estudos detalhados sobre a laminina, proteína essencial para a comunicação entre neurônios e músculos.
A pesquisa extraiu proteínas de placentas humanas e aplicou a polilaminina em pacientes paraplégicos e tetraplégicos, obtendo resultados que surpreenderam a comunidade científica: seis dos oito pacientes tratados recuperaram movimentos parciais ou completos, incluindo um caso de recuperação do andar em paciente paralisado do ombro para baixo.
Agora, a polilaminina deixa o ambiente acadêmico para entrar na primeira fase de testes clínicos da Anvisa, onde cinco pacientes receberão uma única aplicação até 48 horas após lesão na medula espinhal.
Durante seis meses, eles serão acompanhados para avaliar possíveis efeitos adversos e a segurança do medicamento. Se aprovado, o estudo avançará para avaliar a eficácia plena da substância na recuperação dos movimentos.
Serviço
O encontro acontecerá no dia 12 de março de 2026, na Avenida Líria Terezinha Lassi Capuano, número 255, Chácara das Rosas, em Patrocínio, Minas Gerais. A participação é gratuita, mas é necessário realizar inscrição, pois as vagas são limitadas.
O link para registro será divulgado na sexta-feira, 20 de fevereiro, durante coletiva de imprensa do IFTM, garantindo acesso a estudantes, professores e à comunidade em geral, além de permitir que o evento seja acompanhado online por aqueles que não puderem comparecer presencialmente.





