Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts mostra que, em alguns casos, terremotos podem “voltar” parte do caminho por onde já passaram. Esse fenômeno é chamado de efeito boomerang.
A pesquisa foi publicada na AGU Advances e indica que cientistas podem precisar rever como entendem a propagação da energia dos terremotos nas falhas geológicas.
Segundo o estudo, isso pode acontecer quando a ruptura do abalo sísmico se move apenas em uma direção por uma longa distância e quando a fricção na falha muda durante o tremor.
Simulações em computador indicam que esse tipo de comportamento pode acontecer até em falhas simples e retas, e não apenas em sistemas geológicos mais complexos, como se acreditava antes.
Mudanças nos terremotos
De forma simples, o efeito boomerang pode acontecer quando algumas situações acontecem ao mesmo tempo, como:
- o terremoto se espalha em apenas uma direção pela falha;
- essa ruptura percorre uma distância grande;
- a fricção entre as placas muda durante o tremor (diminui, aumenta e depois diminui de novo).
Quando isso ocorre, partes da falha que já tinham se rompido podem acumular energia novamente e gerar um novo movimento no sentido contrário ao primeiro.
Os cientistas explicam que isso não acontece só em sistemas geológicos complicados. Simulações mostram que também pode ocorrer em falhas mais simples, o que amplia o que os especialistas precisam observar nos estudos sobre abalos sísmicos.
Entre os principais efeitos dessa descoberta estão:
- necessidade de rever como os terremotos são estudados hoje;
- aumento das áreas que podem sofrer danos em um terremoto;
- importância de melhorar sistemas de monitoramento e previsão de riscos sísmicos.
Histórico e aprimoramentos
Embora ainda em estudo, há indícios do fenômeno em grandes terremotos, como no Japão (2011), na região entre Turquia e Síria (2023) e no Oceano Atlântico (2016), embora limitações tecnológicas tenham dificultado confirmações.
A descoberta pode aprimorar planejamento urbano e mitigação de riscos, já que a retropropagação pode gerar ondas sísmicas repetidas e ampliar danos estruturais e sociais em áreas próximas a falhas ativas.






