A partida dentre Benfica e Real Madrid disputada no Estádio da Luz, em Lisboa, nessa terça-feira (17), ficou marcada por um episódio de racismo envolvendo o atacante brasileiro Vinícius Júnior da equipe espanhola. O jogador revelou ao árbitro François Letexier que foi insultado de forma racista pelo jogador argentino Gianluca Prestiani, da equipe portuguesa, sendo chamado de macaco. Assim que foi informado, o árbitro realizou o protocolo antirracismo da UEFA.
A entidade europeia que regula as competições no velho continente aderiu às regras propostas pela FIFA em 2024, com um protocolo previamente definido para identificar casos de racismo dentro dos estádios de futebol. Neste protocolo, o árbitro realiza um gesto com os braços erguidos e cruzados, sinalizando a interrupção da partida por conta de um evento racista. Em seguida, o árbitro deve informar às autoridades competentes sobre o incidente e avaliar se há a possibilidade de parar ou até mesmo cancelar à medida que os insultos continuarem sendo ouvidos mesmo após anúncios nos telões do estádio informarem à torcida para cessarem os gritos.
Na partida entre Real Madrid e Pachuca, pelo Mundial de Clubes da FIFA, o zagueiro alemão Antonio Rudiger relatou ao árbitro brasileiro Ramon Abatti Abel sobre insultos racistas vindos de um defensor do clube mexicano. Foi a primeira vez que o protocolo foi utilizado desde a sua criação.
Na partida dessa terça-feira (17), o protocolo não foi totalmente seguido conforme as recomendações, já que o árbitro reiniciou a partida 10 minutos após o ocorrido sem avisar os capitães e treinadores sobre os riscos de novos casos acontecerem durante a partida. Um torcedor do Benfica atrás da goleira onde o Real Madrid atacava no segundo tempo realizou gestos racistas após o incidente entre Vini Jr. e Prestianni sem qualquer intervenção da arbitragem ou de autoridades policiais portuguesas.
A UEFA deve indicar um investigador para analisar o caso nos próximos dias. Se confirmada a versão de Vinícius Júnior, Prestianni vai receber uma punição de 10 jogos sem disputar competições da entidade europeia.
Números de casos de racismo de Vinícius Júnior no Real Madrid chega a 20
Desde que chegou ao Real Madrid em 2018, Vinícius Júnior vem sendo atacado racialmente em partidas do campeonato espanhol, mas nunca havia sofrido em jogos da UEFA Champions League.
Em estádios espanhóis, Vinícius Júnior já foi insultado nos estádios do Valência, Valladolid, Mallorca, Real Sociedad, Atlético de Madrid e Barcelona. Em todos os casos, o jogador brasileiro se apresentou aos tribunais espanhóis para dar sua versão sobre os incidentes.
Ao todo, Vinícius Júnior já denunciou 20 casos de racismo desde a sua chegada ao futebol europeu.
O episódio dessa terça-feira (17) marca o início da implementação do protocolo antirracismo de 2024, já que o último episódio envolvendo discriminação racial envolvendo um membro de uma equipe de futebol na UEFA havia acontecido em 2021, com o árbitro romeno Sebastian Coltescu, referindo o auxiliar do Istanbul Basaksehir, o camaronês Pierre Webó, como “aquele negro” em partida contra o Paris Saint-Germain.





