A partir de julho de 2026, a União Europeia proibirá a destruição de roupas, calçados e acessórios não vendidos por grandes empresas, como parte de uma estratégia para reduzir o impacto ambiental da indústria da moda.
Essa iniciativa está inserida no Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR), em vigor desde julho de 2024, que estabelece normas obrigatórias para tornar os produtos mais duráveis e ecológicos ao longo de seu ciclo de vida.
Fim da destruição de roupas
Pesquisas europeias apontam que a destruição de produtos não vendidos, conhecida como destructionism, é responsável por cerca de 5 milhões de toneladas de CO₂ por ano, já que entre 4% e 9% das roupas produzidas nunca chegam às lojas.
A medida busca reduzir esse desperdício, principalmente na fast fashion, cuja produção rápida e intensa é atualmente classificada como ultra‑fast fashion.
As novas regras passam a valer primeiro para grandes empresas, incluindo fabricantes e varejistas dentro e fora da UE, desde plataformas de comércio online até marcas de luxo. Médias empresas terão prazo maior e devem se adequar apenas até 2030.
A destruição de produtos será permitida apenas em casos de risco à segurança, danos irreparáveis ou violações de propriedade intelectual. Além disso, as empresas terão que informar anualmente a quantidade de itens descartados, seguindo um modelo padronizado que entra em vigor em fevereiro de 2027.
Ecodesign na Europa
O ESPR também define requisitos de ecodesign: maior durabilidade, redução do consumo de energia e recursos, facilidade de reparo e desmontagem, menor uso de substâncias nocivas, maior reciclabilidade e conteúdo reciclado.
Outra inovação é o passaporte digital do produto, que fornece informações sobre cadeia de produção, composição, opções de reparo e impacto ambiental, ajudando consumidores e empresas a fazerem escolhas mais sustentáveis.
Além de vestuário, calçados e acessórios, outros setores prioritários para exigências de ecodesign e rotulagem nos próximos cinco anos incluem aço, alumínio, mobiliário, pneus e colchões, todos considerados estratégicos para a economia circular.






