O mercado de feijão no Brasil enfrenta alta de preços, queda no consumo e retração produtiva. A primeira safra 2025/26 deve ocupar 807,6 mil hectares, recuo de 11,1%, com produção estimada em 983,6 mil toneladas, queda de 7,4%. O plantio da segunda safra alcança 88,8%, abaixo dos 99,1% do ano anterior.
A menor oferta, somada a estoques reduzidos e problemas climáticos, pressiona os preços mesmo durante a colheita. A primeira safra caiu cerca de 20% no feijão-carioca e entre 20% e 25% no feijão-preto. A expectativa é de preços elevados no primeiro semestre, com cenário futuro dependente da terceira safra irrigada.
Queda no feijão
Diante das preocupações com a produção, agentes do setor têm buscado alternativas para recuperar a presença do alimento na alimentação cotidiana da população.
Durante reunião realizada em São Paulo, coordenada pelo Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses, foram analisados fatores relacionados à redução do consumo, entre eles a percepção de baixa praticidade no preparo, o pouco conhecimento sobre os benefícios nutricionais e mudanças nos padrões culturais de alimentação.
Atualmente, o consumo médio no país está próximo de 12 quilos por pessoa ao ano. Informações da Embrapa Arroz e Feijão apontam que o consumo aparente foi de 12,8 quilos por habitante em 2023, abaixo do volume observado em 1996, quando alcançava 18,8 quilos.
Estudos científicos também indicam diminuição no consumo frequente, definido como ingestão em cinco ou mais dias por semana, com projeções que sugerem manutenção dessa tendência ao menos até 2030.
Outros efeitos e alternativas
O setor produtivo também analisa possíveis efeitos indiretos de medicamentos para emagrecimento sobre os hábitos alimentares da população. Como medida inicial para enfrentar o cenário, foi criado um comitê formado por representantes de produtores, indústria, consumidores e instituições de pesquisa, com foco na avaliação de estratégias para fortalecer o consumo.
Entre as alternativas em discussão está a inclusão do feijão pronto na cesta básica. A proposta busca ampliar o acesso ao produto e incentivar o consumo de um alimento considerado tradicional na alimentação brasileira, além de facilitar o preparo no dia a dia.






