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Estudo mostra cometa cujo núcleo gira de forma surpreendente

Por Leticia Florenço
12/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Se alguém estivesse na superfície do cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák em 2017, teria testemunhado um fenômeno extraordinário: sua rotação desacelerou drasticamente à medida que se aproximava do Sol, até parar completamente e depois recomeçar no sentido oposto.

Entre março e maio daquele ano, o período de rotação aumentou de 20 horas para 46 horas, uma variação considerada extrema no universo dos cometas, onde mudanças costumam ocorrer em minutos.

A física por trás da inversão

Cometas são blocos de gelo e rocha, remanescentes da formação do Sistema Solar. Ao se aproximarem do Sol, o calor provoca a sublimação do gelo, liberando gás e poeira que formam a coma, a nuvem que envolve o núcleo.

Jatos de material emitidos pelo cometa funcionam como pequenos propulsores naturais, capazes de alterar drasticamente a rotação do corpo celeste, como aconteceu com o 41P.

Observações e descobertas

O fenômeno foi identificado pelo astrônomo David Jewitt, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, a partir de imagens captadas pelo Hubble Space Telescope.

Após maio, o cometa ficou temporariamente invisível da Terra por estar muito próximo do Sol. Quando reapareceu em dezembro, novas imagens mostraram que o objeto girava agora a cada 14 horas, indicando que havia invertido a direção de rotação.

A astrônoma Jane Luu, da Universidade de Oslo, classificou o registro como inédito: teoricamente esperado, mas nunca antes observado em tempo real.

Implicações para o Sistema Solar

A instabilidade rotacional ajuda a explicar por que há menos cometas pequenos do que o esperado. Uma das hipóteses é que jatos de gás acelerem a rotação a ponto de fragmentar o núcleo por força centrífuga, encurtando a vida útil desses corpos celestes.

Jewitt acredita que esse processo seja um dos principais responsáveis pela destruição de cometas.

Próximos encontros

O 41P voltará a se aproximar do Sol no início de 2028, oferecendo nova oportunidade para observações.

Com a entrada em operação do Vera C. Rubin Observatory, no Chile, astrônomos poderão monitorar pequenos corpos celestes com mais precisão, aumentando as chances de registrar novos episódios de instabilidade e de entender melhor a dinâmica dos cometas no Sistema Solar.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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