A calcificação das artérias representa um estágio avançado da aterosclerose, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura, colesterol e outras substâncias na parede dos vasos sanguíneos.
Com o tempo, essas placas passam por um processo de endurecimento devido ao depósito de cálcio, tornando as artérias mais rígidas e estreitas.
Esses vasos são responsáveis por transportar sangue rico em oxigênio e nutrientes para todo o organismo. Quando perdem elasticidade, o fluxo sanguíneo fica comprometido, aumentando o risco de doenças cardiovasculares graves.
Como a calcificação se desenvolve no organismo
Especialistas costumam comparar as artérias a mangueiras flexíveis que se expandem e contraem conforme a pressão do sangue. Em condições saudáveis, essa elasticidade garante uma circulação eficiente. Com a calcificação, porém, essa capacidade diminui.
O cirurgião vascular Alexandre Giovannini, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), explica que o problema geralmente está associado a um processo inflamatório crônico.
O corpo, ao tentar reparar agressões constantes nas paredes das artérias, deposita cálcio na região. Esse mecanismo funciona como uma espécie de “cicatrização”, mas acaba endurecendo o vaso sanguíneo.
O cálcio, que deveria estar concentrado nos ossos e dentes, passa a se acumular nas artérias, contribuindo para a rigidez e redução do espaço interno por onde o sangue circula.
Uma doença silenciosa e perigosa
Um dos pontos mais críticos da calcificação arterial é o fato de ser, na maioria das vezes, silenciosa. O processo não causa dor enquanto está se formando. Muitos pacientes só descobrem a condição quando ela já está em estágio avançado ou durante exames de rotina.
Entre os exames que podem identificar o problema estão:
- Ecodoppler vascular
- Tomografia com escore de cálcio
- Angiotomografia
- Avaliações cardiológicas preventivas
Por isso, o diagnóstico precoce depende, principalmente, do acompanhamento médico regular.
Sinais de alerta quando a doença avança
Quando o estreitamento das artérias começa a comprometer o fluxo sanguíneo, o corpo pode emitir sinais. Entre os principais sintomas estão:
- Falta de ar durante pequenos esforços, indicando possível comprometimento das artérias coronárias.
- Cansaço excessivo, desproporcional às atividades realizadas.
- Dor no peito (angina), especialmente durante esforço físico.
- Dor nas pernas ao caminhar que melhora com o repouso, conhecida como claudicação intermitente.
- Feridas que não cicatrizam, principalmente nos pés e pernas, sugerindo má circulação.
- Diminuição dos pulsos periféricos ou, em casos mais graves, necrose (gangrena).
Os especialistas alertam que não se deve esperar o aparecimento desses sintomas para buscar avaliação médica.
Fatores que aceleram a calcificação
Diversas condições contribuem para o desenvolvimento e progressão da calcificação arterial. Entre elas:
- Envelhecimento natural
- Predisposição genética
- Alimentação rica em gorduras saturadas e ultraprocessados
- Tabagismo
- Diabetes
- Hipertensão arterial
- Colesterol elevado
- Doença renal crônica
- Sedentarismo
Esses fatores favorecem a inflamação contínua das paredes arteriais, acelerando o depósito de cálcio.
Por que a rigidez das artérias preocupa
A elasticidade das artérias é fundamental para amortecer a pressão do sangue bombeado pelo coração. Quando os vasos se tornam rígidos:
- O coração precisa fazer mais esforço para bombear o sangue.
- A pressão arterial tende a aumentar.
- A circulação se torna menos eficiente.
- O risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) cresce significativamente.
Além disso, o estreitamento das artérias pode facilitar a formação de coágulos capazes de bloquear completamente o fluxo sanguíneo.
É possível prevenir ou retardar o processo?
Embora a calcificação já estabelecida não possa ser totalmente revertida, é possível desacelerar sua progressão com mudanças no estilo de vida e tratamento adequado. Entre as principais medidas estão:
- Adotar uma alimentação equilibrada, rica em fibras, frutas, verduras e gorduras saudáveis.
- Praticar atividade física regularmente.
- Controlar pressão arterial, glicemia e colesterol.
- Abandonar o cigarro.
- Realizar check-ups periódicos.
Em alguns casos, medicamentos podem ser indicados para reduzir fatores de risco e proteger o sistema cardiovascular. A prevenção e o diagnóstico precoce são as melhores estratégias para evitar complicações.





