O ar-condicionado é considerado um parceiro indispensável durante as ondas de calor, mas nem todos os edifícios permitem sua instalação. Cada vez mais, condomínios e apartamentos estabelecem regras restritivas, motivadas por questões técnicas e estruturais que vão além do simples conforto térmico.
Um dos principais motivos para a proibição do ar-condicionado é o consumo de energia. Diferente de outros eletrodomésticos, esses aparelhos exigem grande quantidade de corrente elétrica. Sem adaptações, a rede do prédio pode sofrer sobrecargas, gerando riscos de curto-circuitos ou até incêndios.
Engenheiros especializados avaliam transformadores, fiação e a capacidade elétrica de cada edifício antes de permitir a instalação. Em alguns casos, mesmo modelos portáteis não são liberados, já que o consumo ainda é alto.
A legislação brasileira exige que o proprietário apresente a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) antes de instalar qualquer equipamento.
Fachadas preservadas
Além da energia, a aparência do prédio é outro fator limitante. Edifícios antigos ou com design histórico podem proibir a instalação de aparelhos split, cujo motor externo altera a estética da fachada.
Mesmo em prédios modernos, há regras que impedem alterações estruturais externas. Em muitos casos, a instalação só é possível consumindo parte da sacada, gerando conflito entre segurança, estética e conforto.
Alternativas ao ar-condicionado
Quando a instalação é proibida, os moradores precisam buscar outras formas de combater o calor:
- Climatizadores de ar: Evaporam água para resfriar o ambiente, eficientes em regiões secas, mas menos eficazes em locais úmidos.
- Ventiladores: Movimentam o ar, mas não reduzem a temperatura, funcionando apenas em calor moderado.
Segundo João Aureliano, conselheiro da ABRAVA, ventiladores evoluíram tecnologicamente, mas seu efeito cai drasticamente durante ondas de calor extremo. “O avanço real está nos sistemas de climatização ativa, que controlam temperatura e umidade de forma efetiva”, explica.
Impactos no setor
Apesar das restrições em diversos edifícios, o setor de ar-condicionado segue aquecido. A Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) projeta faturamento de R$ 55,62 bilhões em 2026.
O crescimento é impulsionado por regiões com alta demanda por conforto térmico e edifícios já adaptados às exigências elétricas e estruturais.
Antes de alugar ou comprar um apartamento, é fundamental verificar se o prédio permite o uso do ar-condicionado. Consultar o regulamento interno, avaliar a infraestrutura elétrica e checar a possibilidade de instalação de climatizadores podem evitar surpresas desagradáveis.





