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Fenômeno que chega no Brasil em 2026 pode aumentar conta de luz

Por Leticia Florenço
10/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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conta de luz

Conta de Luz - Reprodução/iStock

A possível atuação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 acendeu um alerta no setor elétrico brasileiro e pode mexer na conta de luz.

Conhecido por provocar aumento das temperaturas e mudanças no regime de chuvas, especialmente com redução das precipitações no Norte e Nordeste, o evento climático pode pressionar o sistema de geração de energia e resultar no acionamento de bandeiras tarifárias mais caras ao longo do ano.

Especialistas já projetam maior frequência de bandeiras vermelhas em comparação com 2025, o que pode elevar significativamente a conta de luz dos consumidores.

Chuvas abaixo da média preocupam especialistas

Desde o fim do ano passado, analistas do mercado energético vêm apontando que o volume de chuvas registrado entre outubro e março, período tradicionalmente úmido, ficou abaixo da média histórica em diversas regiões.

Esse cenário impacta diretamente os reservatórios das hidrelétricas, que respondem por grande parte da geração de energia no País.

Com menos água armazenada, aumenta o risco hidrológico (GSF) e cresce a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que têm custo de produção mais elevado.

Essa combinação pressiona o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência do mercado de energia de curto prazo, influenciando a definição das bandeiras tarifárias.

Fevereiro ainda com bandeira verde na conta

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Atualmente, o mês de fevereiro segue sob bandeira verde, sem cobrança adicional na conta de luz. O cenário é considerado típico para esta época do ano, quando as chuvas ajudam a recompor os reservatórios.

Pela metodologia da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a cobrança extra só ocorre quando o risco hidrológico está muito elevado e o preço da energia no mercado de curto prazo dispara.

No entanto, esse quadro tende a mudar a partir de abril, quando se encerra o período úmido e os critérios para acionamento das bandeiras ficam mais sensíveis a déficits de geração.

Abril pode marcar mudanças

Especialistas do setor avaliam que já em abril pode haver mudança para bandeira amarela. Nesse caso, o custo adicional seria de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Segundo o especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, Matheus Machado, a definição ficará mais clara após a consolidação dos dados de chuvas de fevereiro. Ele ressalta que, após esse período, torna-se difícil reverter a tendência caso os níveis dos reservatórios não apresentem recuperação significativa.

A Ampere Consultoria também projeta manutenção da bandeira verde até abril, mas não descarta a possibilidade de cobrança extra dependendo da evolução climática.

Risco de bandeira vermelha no segundo semestre

As projeções mais preocupantes se concentram no período seco, entre maio e setembro. A Armor Energia prevê bandeira amarela em maio e vermelha a partir de junho, com possibilidade de retorno à amarela apenas no fim do ano.

Já a Envol aponta maior probabilidade de bandeira amarela a partir de maio e vermelha em julho, podendo chegar ao patamar 2 durante o auge do período seco.

Os valores adicionais são consideráveis:

  • Bandeira Vermelha Patamar 1: R$ 4,463 a cada 100 kWh.
  • Bandeira Vermelha Patamar 2: R$ 7,877 a cada 100 kWh.

Em residências com consumo médio de 200 kWh por mês, a diferença pode representar um impacto significativo no orçamento familiar.

El Niño e o aumento da demanda por energia

Embora o El Niño não tenha efeito direto e previsível sobre as chuvas nas regiões que concentram os principais reservatórios hidrelétricos, ele costuma provocar temperaturas mais altas em várias partes do País.

Com o calor intenso, cresce o uso de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e refrigeradores, elevando a carga do sistema elétrico. Esse aumento na demanda pode pressionar ainda mais os preços da energia, mesmo que os reservatórios não estejam em situação crítica.

Como o consumidor pode se preparar?

Diante da possibilidade de aumento na conta de luz, especialistas recomendam atenção ao consumo e adoção de medidas de eficiência energética, como:

  • Reduzir o tempo de uso do ar-condicionado;
  • Aproveitar iluminação natural;
  • Substituir lâmpadas por modelos LED;
  • Evitar aparelhos em modo stand-by;
  • Monitorar o consumo mensal para evitar surpresas.

Em um cenário de incertezas climáticas e maior pressão sobre o setor elétrico, planejamento e consumo consciente podem fazer a diferença no orçamento das famílias brasileiras em 2026.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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