O que parecia apenas mais uma complicação comum relacionada a implantes de silicone acabou revelando algo muito mais sério.
O aumento repentino de uma das mamas, percebido “do dia para a noite”, levou a influenciadora e comediante Evelin Camargo a buscar ajuda médica acreditando estar diante de uma ruptura da prótese.
O exame, porém, trouxe um detalhe inquietante: o silicone estava intacto, mas havia líquido acumulado ao redor do implante, algo que não deveria acontecer tantos anos após a cirurgia.
Quando o corpo foge do padrão esperado
A presença desse líquido, chamado de seroma tardio, acendeu o alerta da equipe médica. Diferente de inchaços comuns no pós-operatório imediato, esse tipo de alteração surge muito tempo depois da colocação da prótese e não deve ser ignorado.
A decisão foi investigar a fundo, indo além dos exames de imagem e partindo para análises laboratoriais detalhadas.
A descoberta de um câncer raro
Após a punção do líquido e testes específicos de imunohistoquímica, veio o diagnóstico: linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários (BIA-ALCL).
Apesar de se manifestar na região da mama, esse câncer não se origina no tecido mamário. Ele surge nas células do sistema linfático e se desenvolve, na maioria dos casos, na cápsula fibrosa que o próprio corpo forma ao redor da prótese.
Não é câncer de mama
Essa distinção é crucial. O BIA-ALCL é um linfoma, não um câncer de mama tradicional. Isso influencia diretamente o tratamento e o prognóstico.
Quando identificado precocemente e restrito à cápsula do implante, como no caso da influenciadora, a retirada completa da prótese e da cápsula costuma ser suficiente para controlar a doença.
Embora a ciência ainda investigue as causas exatas, estudos indicam maior associação do BIA-ALCL com próteses de superfície texturizada. A textura irregular pode favorecer inflamações crônicas e até a formação de biofilmes bacterianos.
Esse estímulo contínuo mantém o sistema imunológico em alerta por anos, criando um ambiente propício para alterações malignas em células de defesa.
Sintomas que nunca devem ser normalizados
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Inchaço súbito e tardio da mama
- Acúmulo de líquido ao redor do implante
- Assimetria repentina
- Dor persistente
- Endurecimento ou surgimento de nódulos
Essas alterações não fazem parte do “envelhecimento normal” da prótese e sempre exigem investigação médica.
Tratamento e chances de cura
Na maioria dos casos diagnosticados precocemente, o tratamento consiste na retirada da prótese e da cápsula em bloco. Quando há disseminação para linfonodos ou outros órgãos, situação menos comum, podem ser indicadas quimioterapia ou imunoterapia.
Ainda assim, especialistas destacam que o BIA-ALCL apresenta altas taxas de controle e possibilidade real de cura.
O caso reacende uma discussão importante: próteses mamárias não são dispositivos vitalícios. Elas exigem acompanhamento regular, mesmo na ausência de sintomas.
Exames como a ressonância magnética são recomendados a partir de cinco anos após a cirurgia e devem ser repetidos periodicamente para avaliar tanto o implante quanto a cápsula ao redor.
Informação como forma de cuidado
Ao tornar público o diagnóstico, Evelin Camargo deixou claro que seu objetivo não era gerar medo, mas alertar. O corpo costuma avisar quando algo não está bem e ouvir esses sinais pode fazer toda a diferença.
Especialistas reforçam que a decisão de colocar implantes deve sempre vir acompanhada de informação clara, acompanhamento contínuo e consciência dos riscos envolvidos.




