O litoral pernambucano, conhecido por suas águas quentes e paisagens marcantes, enfrenta um momento de atenção ambiental.
Dados recentes da Companhia Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) revelam um aumento no número de praias classificadas como impróprias para banho, justamente em áreas muito frequentadas por turistas e moradores locais.
A situação reacende o debate sobre saneamento, crescimento urbano e preservação dos recursos naturais.
Crescimento das áreas impróprias preocupa banhistas
Em comparação com a semana anterior, houve um acréscimo no número de praias vetadas para recreação marítima. Antes, nove localidades estavam fora dos padrões de segurança.
Após a última rodada de análises, esse número subiu para dez, com a inclusão da Praia do Capitão, na região de Mangue Seco, em Igarassu. O avanço do alerta indica que o problema não é pontual, mas resultado de um conjunto de fatores ambientais e estruturais.
A maior parte das praias consideradas impróprias está localizada no litoral norte do estado, onde sete áreas apresentam contaminação acima do permitido. Outras três ficam no litoral sul.
Essa distribuição evidencia a influência direta de rios, canais urbanos e áreas densamente ocupadas, que frequentemente despejam resíduos sem tratamento adequado no mar.
Como é realizado o monitoramento da qualidade da água
A CPRH realiza coletas semanais em pontos estratégicos das praias, geralmente em locais com cerca de um metro de profundidade, faixa mais utilizada para banho.
A última coleta ocorreu no dia 3, e os resultados seguem critérios técnicos estabelecidos pela Resolução Conama nº 274/00, que define os parâmetros de balneabilidade em águas destinadas ao contato humano direto.
Critérios científicos determinam se a praia é segura
A classificação considera a presença de coliformes termotolerantes, microrganismos que indicam contaminação fecal. Para que uma praia seja considerada própria, pelo menos 80% das amostras analisadas ao longo de cinco semanas devem apresentar níveis dentro do limite seguro.
Quando esses índices são ultrapassados ou quando a última coleta aponta concentração elevada, a praia é automaticamente classificada como imprópria.
Praias classificadas como impróprias
Entre as áreas vetadas estão praias muito conhecidas e urbanizadas, como:
- Jaguaribe (Itamaracá)
- Capitão – Mangue Seco (Igarassu)
- Janga e Rio Doce (Paulista e Olinda)
- Bairro Novo, Carmo e Milagres (Olinda)
- Pina (Recife)
- Suape e Gaibú (Cabo de Santo Agostinho)
Esses locais sofrem influência direta de rios, canais pluviais e alta densidade urbana, fatores que elevam o risco de contaminação.
Praias consideradas próprias para banho
Apesar do alerta, grande parte do litoral segue liberada para recreação, incluindo destinos turísticos muito procurados:
- Boa Viagem (Recife)
- Porto de Galinhas e Serrambi (Ipojuca)
- Carneiros e Tamandaré (Tamandaré)
- Candeias e Piedade (Jaboatão dos Guararapes)
Essas áreas apresentaram resultados dentro dos padrões sanitários exigidos.
Riscos à saúde dos banhistas
Entrar em águas contaminadas pode causar:
- Infecções gastrointestinais
- Dermatites e alergias
- Problemas nos olhos, ouvidos e vias respiratórias
Crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa são os mais vulneráveis.
Informação e prevenção como aliados do verão
Consultar os boletins de balneabilidade antes de ir à praia, evitar o banho após períodos de chuva intensa e observar as sinalizações instaladas ao longo da orla são atitudes simples que reduzem riscos.
O monitoramento contínuo, aliado a investimentos em saneamento, é fundamental para garantir praias mais limpas e seguras no futuro.






