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Calor excessivo contribui para evasão no ensino médio em escolas públicas

Por Leticia Florenço
03/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Sala de aula - Reprodução

Sala de aula - Reprodução

O aumento das temperaturas no Brasil passou a interferir de forma direta na trajetória educacional de milhares de jovens. Mais do que um desconforto momentâneo, o calor excessivo vem se consolidando como um fator capaz de afastar estudantes do ensino médio das salas de aula, especialmente na rede pública.

Pesquisas recentes indicam que a maior frequência de dias com temperaturas acima de 34 °C eleva significativamente a chance de evasão escolar.

Esse dado revela que o impacto do aquecimento global ultrapassa os limites ambientais e atinge escolhas individuais, influenciando a decisão de continuar ou abandonar os estudos em uma fase decisiva da formação escolar.

Aprender em ambientes quentes exige esforço extra

O desconforto térmico compromete funções cognitivas essenciais ao aprendizado. Em temperaturas elevadas, o cérebro encontra mais dificuldade para manter a atenção, controlar impulsos e sustentar o foco em atividades prolongadas.

Para adolescentes, que já enfrentam desafios próprios dessa fase da vida, estudar em salas abafadas torna-se ainda mais desgastante.

A desigualdade revelada pela infraestrutura escolar

O efeito do calor não se distribui de forma homogênea entre as escolas. Nas instituições privadas, onde há maior disponibilidade de recursos para climatização e adaptação dos espaços, não se observa aumento relevante da evasão.

Já nas escolas públicas, especialmente em áreas urbanas, a precariedade da infraestrutura transforma o calor em um fator permanente de desgaste e exclusão.

Além do ambiente escolar, o calor excessivo durante a noite interfere no sono dos estudantes. A falta de descanso adequado compromete a consolidação da memória e dificulta a retenção do conteúdo aprendido. Dessa forma, o aluno chega à escola mais cansado, aprende menos e se sente cada vez mais desmotivado.

Dados revelam um padrão preocupante

A análise de milhões de matrículas ao longo de quase uma década confirma que o fenômeno se concentra no ensino médio da rede pública.

O estudo não encontrou efeitos entre alunos do ensino fundamental ou da rede privada, reforçando a ideia de que o calor atua como um fator agravante das desigualdades já existentes.

Calor e vulnerabilidade social caminham juntos

Os estudantes mais expostos aos efeitos do calor são, em sua maioria, aqueles em situação de maior vulnerabilidade social.

Jovens pobres, pretos, pardos e indígenas estão mais presentes em escolas com estruturas deficientes e, ao mesmo tempo, enfrentam mais obstáculos para permanecer nos estudos. O aquecimento global, nesse contexto, amplia desigualdades históricas.

Investir em conforto térmico é investir em educação

A pesquisa aponta que os efeitos negativos do calor podem ser mitigados com melhorias relativamente diretas, como climatização das salas, adequação elétrica e melhor ventilação. Essas ações não apenas elevam o conforto, mas também fortalecem a permanência dos alunos e melhoram o rendimento escolar.

O Plano Nacional de Educação passou a reconhecer oficialmente a necessidade de adaptação das escolas às mudanças climáticas. Apesar disso, a realidade ainda é distante das metas estabelecidas, já que grande parte das salas de aula da rede pública segue sem condições adequadas de conforto térmico.

Soluções temporárias enquanto a estrutura não chega

Na ausência de investimentos imediatos, algumas redes de ensino adotaram medidas emergenciais, como a flexibilização de horários para evitar os períodos mais quentes do dia. Embora paliativas, essas estratégias ajudam a reduzir os impactos do calor extremo sobre o cotidiano escolar.

Garantir ambientes adequados para o aprendizado não é apenas uma questão de infraestrutura, mas uma condição essencial para assegurar o direito à educação e reduzir a evasão escolar no país.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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