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SUS irá usar quebra-pedra para tratamentos de pacientes

Por Leticia Florenço
03/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Quebra-pedra - Reprodução

Quebra-pedra - Reprodução

O Sistema Único de Saúde está prestes a incorporar um medicamento que carrega séculos de história e saber tradicional.

A planta Phyllanthus niruri, popularmente conhecida como quebra-pedra, utilizada há gerações por povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, será transformada em um fitoterápico industrializado com potencial de uso em tratamentos de distúrbios urinários.

A iniciativa marca um avanço ao reconhecer o valor do conhecimento popular como base legítima para a inovação científica.

Da tradição popular ao rigor científico

Durante muito tempo, o uso da quebra-pedra esteve restrito à medicina tradicional e caseira. Agora, esse saber atravessa o caminho da ciência farmacêutica moderna, passando por processos técnicos rigorosos que garantem segurança, qualidade e eficácia.

O desenvolvimento do fitoterápico respeita a legislação brasileira sobre acesso ao conhecimento tradicional associado, assegurando que o uso da planta seja feito de forma ética e responsável.

Parcerias que viabilizam o medicamento

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O projeto é resultado de uma articulação inédita entre instituições nacionais e internacionais. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento firmou parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos, Farmanguinhos.

Em complemento, um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima fortalece ações voltadas à pesquisa e ao desenvolvimento de fitoterápicos derivados da biodiversidade brasileira para o SUS.

O primeiro fitoterápico de um laboratório público

A iniciativa viabiliza o desenvolvimento do primeiro fitoterápico produzido por um laboratório público dentro das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Ao tratar o conhecimento tradicional como tecnologia, o projeto estabelece um novo paradigma, no qual ciência, território e saúde pública caminham juntos, com consentimento prévio e repartição de benefícios para os detentores desse saber.

Investimentos e estrutura produtiva

Para tornar o medicamento uma realidade, estão sendo investidos cerca de R$ 2,4 milhões em adequação de maquinário, aquisição de equipamentos, compra de insumos, contratação de serviços especializados e realização de estudos laboratoriais.

Esses recursos fazem parte do projeto Fitoterápicos, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente e coordenado tecnicamente pelo Ministério do Meio Ambiente.

Avanços no tratamento de distúrbios urinários

Pesquisadores envolvidos no estudo destacam o caráter inovador do produto. Atualmente, não há no mercado um medicamento capaz de atuar em diferentes etapas da litíase urinária, condição marcada pela formação de cálculos no trato urinário.

O fitoterápico à base de quebra-pedra surge como uma alternativa promissora para ampliar as opções terapêuticas disponíveis à população brasileira.

Além dos benefícios clínicos, o projeto impulsiona toda a cadeia produtiva relacionada à planta medicinal.

Desde a produção sustentável da matéria-prima até a industrialização do medicamento, a iniciativa estimula o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico, fortalecendo a indústria nacional e valorizando os agricultores familiares e comunidades tradicionais.

Estudos, prazos e expectativa de disponibilização

Após a produção dos lotes-piloto, serão realizados estudos de estabilidade necessários para a submissão do produto à Anvisa.

A expectativa é que o processo regulatório seja concluído nos próximos anos, permitindo que o fitoterápico seja finalmente disponibilizado no SUS, ampliando o acesso da população a tratamentos seguros e baseados na biodiversidade brasileira.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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