A expulsão do atacante Jorge Carrascal, do Flamengo, continua dando o que falar nos principais programas esportivos do Brasil. O colombiano recebeu o cartão vermelho no intervalo da decisão da Supercopa Rei 2026, antes do reinício da partida, após uma revisão do árbitro Rafael Klein junto ao árbitro de vídeo. O lance em questão foi uma cotovelada aplicada pelo atacante flamenguista no meio campista Breno Bidon, do Corinthians.
A decisão de verificar a jogada no intervalo partiu do grupo de arbitragem da cabine do VAR, comandado pelo árbitro Wagner Reway, de Santa Catarina, auxiliado por Daniel Nobre Bins e Cleriston Clay. Mas afinal, o que diz a regra sobre expulsar um jogador no intervalo de jogo?
De acordo com especialistas de arbitragem, a maneira como foi tomada a decisão de expulsar o jogador após os 15 minutos de intervalo não foi a ideal, mas há respaldo para que a atitude do árbitro Rafael Klein seja considerada correta. A comentarista de arbitragem do grupo Disney, Renata Ruel entende que a agressão de Carrascal em Breno Bidon caracteriza como conduta violenta e por isso o cartão vermelho foi bem aplicado.
O ex-árbitro e hoje comentarista de arbitragem do grupo Globo, Paulo César de Oliveira, também acredita que a decisão tomada pelo árbitro Rafael Klein foi correta, classificando o lance como uma conduta violenta do atacante flamenguista. O comentarista fez críticas aà demora da equipe de arbitragem de revisar o lance, que deveria ser feito antes do intervalo de jogo.
CBF publica áudios do VAR e respalda decisões da arbitragem
Em nota, a Confederação Brasileira de Futebol afirmou que “o procedimento adotado está amparado no Livro de Regras 2025/26 e no Protocolo do VAR da FIFA, que autorizam a intervenção do VAR em casos de conduta violenta a qualquer momento da partida, inclusive após o reinício do jogo.”
A entidade informou que durante o primeiro tempo de jogo, quedas de energia aconteceram nas instalações do Estádio Mané Garrincha, que afetaram o sistema da cabine de vídeo dos árbitros VAR. Durante o intervalo, a equipe de arbitragem de vídeo precisou usar o sistema no-break para manter os monitores funcionando, que permitiram o uso por 15 minutos.
De acordo com a CBF, a partida chegou a ficar em torno de 20 minutos sem a assistência do árbitro de vídeo devido a falta de energia na cabine de arbitragem.
A CBF também publicou os áudios das revisões de vídeo adotadas durante a Supercopa Rei 2026, tanto do lance da expulsão de Carrascal no intervalo, quanto o gol de Yuri Alberto nos acréscimos do segundo tempo. Os protocolos estabelecidos para o tipo de revisão foram respeitados de acordo com a entidade.
Casos semelhantes
Apesar de ser uma decisão inédita na história do futebol brasileiro, árbitros de futebol já tiveram que tomar decisões no monitor do VAR em outras situações no futebol mundial. Dois casos que ganharam repercussão aconteceram na Inglaterra e na Alemanha.
Em 2020, após o apito final da partida entre Brighton e Manchester United, o árbitro foi chamado pela equipe do VAR para revisar o último lance da partida em um lance de possível pênalti para a equipe visitante. Os jogadores já estavam saindo em direção ao vesiário e então o árbitro fez o gesto de revisão e após revisar o lance, mandou todos os jogadores voltarem para o campo e marcou a penalidade para o Manchester United. Bruno Fernandes marcou o gol e o United venceu por 3 a 2.
Em 2018, um acontecimento semelhante ocorreu na partida entre Mainz 05 e SC Freiburg. Enquanto os jogadores de ambos os clubes estavam já dentro do vestiário, o árbitro foi chamado a rever uma jogada de pênalti para a equipe mandante. O juiz decidiu pela marcação do pênalti, que foi convertido.





