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Milhões de brasileiros começarão a receber o abono salarial PIS/Pasep em fevereiro de 2026

Por Leticia Florenço
03/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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PIS/PASEP - Reprodução/iStock

PIS/PASEP - Reprodução/iStock

O pagamento do abono salarial PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base de 2024, já tem data marcada para começar e deve beneficiar milhões de trabalhadores em todo o país.

O repasse terá início no dia 16 de fevereiro de 2026, uma segunda-feira, já que o dia 15 cai em um domingo. Pelas regras do programa, sempre que a data prevista não for um dia útil, o pagamento é automaticamente transferido para o primeiro dia útil seguinte.

De acordo com estimativas do Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 26,9 milhões de brasileiros devem receber o benefício ao longo do ano, totalizando aproximadamente R$ 33,5 bilhões injetados na economia.

Nesta primeira liberação, o pagamento será feito aos trabalhadores nascidos em janeiro, seguindo um cronograma escalonado que se estenderá até dezembro de 2026.

O que é o abono salarial e qual sua finalidade

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O abono salarial é um benefício anual concedido a trabalhadores da iniciativa privada, por meio do PIS, e a servidores públicos, pelo Pasep. Ele funciona como uma complementação de renda e pode chegar ao valor de um salário mínimo, dependendo do tempo de trabalho no ano-base.

Para ter acesso ao benefício, é necessário ter exercido atividade remunerada por pelo menos 30 dias no ano-base considerado, além de cumprir outros critérios estabelecidos por lei.

Calendário unificado traz mais previsibilidade aos pagamentos

Assim como nos anos anteriores, o calendário de pagamentos em 2026 permanece unificado. Isso significa que tanto trabalhadores do setor privado quanto servidores públicos recebem o benefício de acordo com o mês de nascimento.

Os valores são liberados sempre no dia 15 do mês correspondente ou no primeiro dia útil seguinte, caso a data coincida com finais de semana ou feriados. O saque poderá ser realizado até o último dia útil bancário de dezembro de 2026.

Mudanças nas regras tornam o acesso mais restrito

A partir de 2026, entram em vigor novas regras para definir quem terá direito ao abono salarial. Até então, o limite de renda acompanhava o valor do salário mínimo, mas isso muda com a criação de uma regra de transição aprovada pelo governo.

O teto de renda passa a ser corrigido apenas pela inflação medida pelo INPC, enquanto o salário mínimo continuará recebendo reajustes acima da inflação. Na prática, isso faz com que o número de trabalhadores elegíveis ao benefício diminua gradualmente ao longo dos anos.

Para receber o abono em 2026, o trabalhador deve ter recebido, em 2024, remuneração média mensal de até R$ 2.765,93. A previsão do governo é que, até 2035, apenas trabalhadores com renda de até um salário mínimo e meio por mês tenham direito ao benefício.

Por que o governo decidiu alterar os critérios do PIS/Pasep

A mudança nas regras está diretamente ligada à política de valorização do salário mínimo, que considera tanto a inflação quanto o crescimento do PIB.

Como o piso salarial tende a crescer acima da inflação, manter o limite do abono atrelado ao salário mínimo ampliaria automaticamente o número de beneficiários e os gastos públicos.

Ao desvincular o teto de renda do salário mínimo e ajustá-lo apenas pela inflação, o governo busca preservar o poder de compra do benefício sem comprometer a sustentabilidade do programa no longo prazo.

Quem pode receber o abono salarial em 2026

Apesar das alterações no critério de renda, os demais requisitos para ter direito ao benefício permanecem os mesmos.

O trabalhador precisa estar inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos, ter trabalhado com carteira assinada por no mínimo 30 dias no ano-base de 2024, ter recebido até o limite de renda estabelecido e ter os dados corretamente informados pelo empregador na RAIS ou no eSocial.

Quem fica de fora do pagamento

Algumas categorias de trabalhadores não têm direito ao abono salarial, mesmo que cumpram parte dos critérios. É o caso de empregados domésticos, trabalhadores rurais e urbanos contratados por pessoa física e profissionais empregados por pessoa física equiparada a jurídica.

O valor do abono salarial não é fixo para todos os beneficiários. Ele é calculado de forma proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base. O cálculo considera o salário mínimo vigente dividido por 12 e multiplicado pela quantidade de meses trabalhados.

Dessa forma, apenas quem trabalhou durante os 12 meses de 2024 recebe o valor integral. Em 2026, os valores podem variar aproximadamente entre R$ 136 e R$ 1.621.

Como consultar se o benefício está disponível

A consulta poderá ser feita a partir do dia 5 de fevereiro de 2026 por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, disponível para Android e iOS. O trabalhador deve acessar o sistema com CPF e senha do portal gov.br e verificar a opção “Abono Salarial”.

Também é possível consultar as informações pelos aplicativos Caixa Trabalhador e Caixa Tem, no caso dos trabalhadores da iniciativa privada.

Como será feito o pagamento do PIS e do Pasep

O pagamento do PIS, destinado aos trabalhadores do setor privado, é administrado pela Caixa Econômica Federal. Quem possui conta no banco recebe o valor automaticamente.

Também há a opção de recebimento pela Poupança Social Digital, movimentada pelo Caixa Tem, além de saques em lotéricas, terminais de autoatendimento e agências da Caixa. Já o Pasep, voltado aos servidores públicos, é pago pelo Banco do Brasil, com crédito em conta, transferência via PIX ou TED, ou saque presencial.

Onde tirar dúvidas sobre o abono salarial

Quem ainda tiver dúvidas pode buscar atendimento nos canais oficiais do Ministério do Trabalho. As informações estão disponíveis pelo telefone 158, nas Superintendências Regionais do Trabalho ou pelo e-mail [email protected], substituindo “UF” pela sigla do estado do trabalhador.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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