Os critérios usados para definir as classes econômicas no Brasil passaram por uma atualização recente e mudaram a forma como milhões de pessoas podem entender sua própria posição social.
Um novo estudo trouxe parâmetros mais claros e ajustados à realidade atual do país, tornando mais simples algo que sempre gerou confusão: identificar a qual classe econômica uma família pertence.
Classes econômicas no Brasil são redefinidas após novo estudo
A redefinição vem do estudo “Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024”, elaborado pelo economista Marcelo Neri, pesquisador da FGV Social.
O trabalho analisa quase cinco décadas de dados e propõe uma leitura mais precisa da estrutura social brasileira, levando em conta mudanças profundas no mercado de trabalho, no tamanho das famílias e no custo de vida ao longo do tempo.
O principal ponto do estudo é o uso da renda domiciliar ajustada pelo número de moradores da casa, além da correção pela inflação oficial.
Segundo Neri, observar apenas o valor total recebido por uma família pode distorcer a realidade. Uma renda que parece razoável pode significar condições bastante limitadas quando precisa sustentar várias pessoas.
Por isso, o critério adotado busca refletir melhor o nível de bem-estar de cada domicílio.
Com base nesses parâmetros, o estudo define que as famílias da classe A são aquelas com renda domiciliar mensal acima de R$ 14.191.
Logo abaixo estão as da classe B, com rendimentos entre R$ 10.885 e R$ 14.191. A classe C, frequentemente chamada de classe média, abrange uma faixa bastante ampla, com rendas entre R$ 2.525 e R$ 10.885.
Já as classes D e E concentram os domicílios com menor renda, variando de R$ 1.580 a R$ 2.525 na classe D, e até R$ 1.580 na classe E.
Maioria dos brasileiros está na classe C, diz estudo
Os dados mais recentes mostram um Brasil majoritariamente concentrado na classe C, que reúne cerca de 60,9% da população.
Quando somadas as classes A, B e C, o chamado grupo da “classe média ampliada” alcança 78,1% dos brasileiros, o maior percentual desde o início da série histórica, em 1976.
Ao mesmo tempo, as classes D e E atingiram o menor nível já registrado, com 21,8% da população.
O estudo também aponta um movimento relevante de mobilidade social. Entre 2022 e 2024, aproximadamente 17,4 milhões de pessoas passaram a integrar as classes de maior renda.
A escolaridade aparece como fator decisivo nesse processo, já que domicílios chefiados por pessoas com ensino superior têm muito mais chances de ocupar as faixas mais altas.
Apesar disso, os pesquisadores destacam que renda não é o único elemento que define a posição social.
Acesso a serviços públicos, educação de qualidade e segurança financeira continuam sendo peças centrais para compreender, de forma mais ampla, o retrato social do país.






