Um estudo recente na Serra do Espinhaço documentou 18 espécies de anuros — sapos, rãs e pererecas — em ambientes subterrâneos, destacando a complexidade ecológica das cavernas.
A pesquisa evidencia como esses habitats desempenham papel relevante na manutenção da biodiversidade local, oferecendo abrigo e condições específicas para diferentes estágios de vida desses animais.
A investigação concentrou-se principalmente em duas Unidades de Conservação administradas pelo Instituto Florestal Estadual (IEF): o Parque Estadual do Itacolomi e o Monumento Natural Estadual da Serra da Piedade.
Esses locais forneceram o cenário ideal para análises detalhadas, permitindo compreender melhor a distribuição e os comportamentos dos anuros em ecossistemas cavernícolas.
Reprodução sapos e pererecas
Áreas abrangidas pela pesquisa Ecologia de Vertebrados Associados a Cavernas do Espinhaço Meridional:
- Parque Nacional da Serra do Gandarela
- Parque Nacional da Serra do Cipó
- Parque Nacional das Sempre‑Vivas
- Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira
Espécies com registros de girinos e adultos em cavernas com água, indicando reprodução:
- Bokermannohyla martinsi
- Bokermannohyla alvarengai
- Bokermannohyla nanuzae
- Bokermannohyla saxicola
- Observações incluem machos e fêmeas vocalizando em várias estações do ano
- Reforça a hipótese de reprodução em cavernas sem cursos d’água superficiais
Outros vertebrados cavernícolas registrados:
- 8 espécies de aves, incluindo o tapaculo-serrano (Scytalopus petrophilus)
- 2 espécies de lagartos
- 2 espécies de serpentes
- 1 espécie de lagartixa
- Morcegos são os vertebrados mais comuns nos estudos anteriores
Pesquisas nas unidades de conservação
O estudo reforça a necessidade de ampliar pesquisas ecológicas e comportamentais em cavernas, pouco exploradas, mas essenciais para compreender ciclos de vida, reprodução e adaptações de vertebrados, fornecendo base para estratégias de conservação eficazes.
Pesquisas em Unidades de Conservação exigem autorização prévia do órgão gestor, assegurando que sejam conduzidas de forma responsável, em conformidade com normas ambientais, e permitindo acompanhamento técnico integrado aos objetivos de proteção das UCs.






