O campo magnético terrestre, fundamental para a proteção do planeta contra radiações cósmicas, ganhou atenção recentemente com a sonificação do Evento de Laschamp, uma breve inversão dos polos magnéticos ocorrida há cerca de 41 mil anos.
Nesse período, a força do campo sofreu uma queda abrupta, chegando a cerca de 5% do nível atual, o que resultou em maior exposição da Terra a partículas cósmicas e provocou alterações significativas na magnetosfera.
Som da Terra
O campo magnético da Terra surge a partir dos movimentos do ferro líquido no núcleo externo, gerando correntes elétricas complexas que formam a magnetosfera.
Esse escudo natural protege o planeta das partículas solares e cósmicas, sendo essencial para a preservação da vida e o funcionamento de sistemas tecnológicos.
O Evento de Laschamp é caracterizado como uma excursão geomagnética, na qual os polos magnéticos se inverteram temporariamente antes de retornar à posição original.
Registros paleomagnéticos sugerem que essa transição ocorreu ao longo de algumas centenas de anos, mantendo o campo enfraquecido por aproximadamente quatro a cinco séculos.
Diferentemente de uma inversão completa, como a registrada há cerca de 780 mil anos, episódios desse tipo demonstram a natureza dinâmica e imprevisível do campo magnético terrestre.
Registro do áudio
A sonificação do campo magnético foi realizada em parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Universidade Técnica da Dinamarca, com base em dados da missão Swarm, composta por três satélites que medem o campo magnético em diferentes camadas da Terra: núcleo, manto, crosta, oceanos e magnetosfera.
Essas medições foram transformadas em áudio, proporcionando uma experiência sensorial das flutuações e turbulências ocorridas durante a inversão dos polos.
Regiões como a Anomalia do Atlântico Sul, que cobre parte do Brasil, apresentam fragilidade magnética relativa, aumentando a exposição local à radiação cósmica.
O monitoramento contínuo dessas áreas é fundamental, especialmente diante da intensificação da atividade solar e de eventos climáticos extremos, que podem afetar satélites, sistemas de navegação e comunicações.






