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Profissões que pagam quase nada e mesmo assim precisam de ensino superior

Por Leticia Florenço
28/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Profissões que pagam quase nada

Salário - Reprodução/iStock

Durante muito tempo, concluir uma faculdade foi sinônimo de estabilidade financeira e ascensão social. No entanto, em 2026, essa promessa já não se cumpre para milhares de brasileiros.

Mesmo com diploma na mão, muitos profissionais enfrentam salários baixos, incompatíveis com o nível de formação exigido, a carga de trabalho e a responsabilidade envolvida.

Existem profissões essenciais para a sociedade que exigem ensino superior, mas oferecem remunerações próximas ao salário mínimo, afastando novos interessados e desmotivando quem já atua na área.

Custo de vida alto e salários que não acompanham

Um dos principais fatores por trás da rejeição dessas carreiras é o aumento contínuo do custo de vida. Gastos com aluguel, alimentação, transporte, saúde e educação consumem grande parte da renda mensal, tornando inviável a permanência em empregos que pagam pouco.

Em muitas cidades, o salário recebido mal cobre despesas básicas. Assim, mesmo profissões tradicionalmente respeitadas passaram a ser evitadas por não oferecerem segurança financeira mínima.

Quando estudar mais não significa ganhar mais

Outro ponto crítico é o descompasso entre qualificação e retorno financeiro. Há áreas que exigem graduação, especializações, cursos complementares e atualização constante, mas não recompensam esse esforço com salários compatíveis.

Isso gera frustração, endividamento e, em alguns casos, abandono da profissão. Muitos profissionais acabam migrando para outras áreas ou buscando renda extra fora de sua formação original.

Profissões com ensino superior entre as mais mal pagas no Brasil

Dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), com base na PNAD Contínua do IBGE, mostram que diversas carreiras que exigem diploma universitário estão entre as menos remuneradas do país.

Confira algumas delas e suas médias salariais aproximadas:

  • Professores da educação infantil: Cerca de R$ 2.285
  • Profissionais do ensino (geral): Em torno de R$ 2.554
  • Professores de artes: Aproximadamente R$ 2.629
  • Físicos e astrônomos: Cerca de R$ 3.000
  • Assistentes sociais: Em torno de R$ 3.078
  • Bibliotecários e documentaristas: Aproximadamente R$ 3.135
  • Educadores para necessidades especiais: Cerca de R$ 3.379
  • Profissionais de relações públicas: Em torno de R$ 3.426
  • Fonoaudiólogos: Aproximadamente R$ 3.485
  • Professores do ensino fundamental: Cerca de R$ 3.554
  • Professores de música: Em torno de R$ 3.578

Apesar de pequenas variações regionais, os valores continuam baixos quando comparados ao nível de exigência dessas profissões.

Professores lideram o ranking da desvalorização

A pesquisa da FGV revela um dado alarmante: as três primeiras posições do ranking de salários mais baixos são ocupadas por professores, ainda que em áreas diferentes. Mesmo com algum crescimento médio nos rendimentos ao longo da última década, a docência segue distante das carreiras mais bem remuneradas.

Esse quadro impacta diretamente a qualidade da educação, já que muitos profissionais precisam trabalhar em mais de uma instituição ou assumir jornadas exaustivas para complementar a renda.

Jovens evitam carreiras pouco valorizadas

A nova geração de trabalhadores tem um papel central nessa mudança de comportamento. Jovens profissionais priorizam qualidade de vida, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e possibilidade de crescimento.

Dessa forma, carreiras que oferecem salários baixos, pouca progressão e alta carga emocional acabam sendo descartadas logo no início da trajetória profissional. O resultado é a escassez de mão de obra em áreas fundamentais para o funcionamento da sociedade.

O que pode mudar nos próximos anos

A tendência é que a pressão por melhores condições continue crescendo. Para atrair e reter talentos, será necessário:

  • Reajustar salários de forma mais justa
  • Oferecer benefícios além da remuneração básica
  • Criar planos reais de crescimento profissional
  • Investir em valorização e reconhecimento das carreiras

Ao mesmo tempo, muitos profissionais buscam alternativas, como especializações estratégicas, concursos públicos ou atuação autônoma.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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