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Todas mudanças que precisa saber do Vale Alimentação e Vale Refeição

Por Leticia Florenço
27/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Vale-refeição - Reprodução

Vale-refeição - Reprodução

A partir de fevereiro, trabalhadores e empresas brasileiras passam a conviver com uma mudança significativa no funcionamento do Vale Alimentação (VA) e do Vale Refeição (VR).

O objetivo do Governo Federal é mexer em um mercado bilionário, altamente concentrado e que impacta diretamente a rotina de milhões de pessoas que dependem desses benefícios para se alimentar todos os dias.

Hoje, cerca de 22 milhões de trabalhadores com carteira assinada utilizam VA e VR no Brasil. A maioria recebe até cinco salários mínimos e vê no benefício uma extensão essencial do salário. Apesar disso, o setor sempre foi dominado por poucas empresas, com pouca concorrência e taxas elevadas para quem aceita o cartão.

Concentração do mercado e o motivo das mudanças

Atualmente, apenas quatro grandes operadoras controlam aproximadamente 80% do mercado de vale-refeição e vale-alimentação. Essa concentração gerou, ao longo dos anos, reclamações de bares, restaurantes, mercados e até de empresas contratantes, principalmente por causa das taxas cobradas e da falta de liberdade de escolha.

Com as novas regras, o governo tenta criar um ambiente mais competitivo, estimulando a entrada de novas operadoras, reduzindo custos e devolvendo parte do poder de decisão ao trabalhador.

Liberdade de escolha da operadora pelo trabalhador

Uma das principais mudanças é a possibilidade de o próprio trabalhador escolher a operadora do seu vale. Antes, essa decisão ficava exclusivamente nas mãos da empresa empregadora, o que limitava opções e mantinha o domínio das grandes marcas.

Agora, o funcionário poderá optar pela operadora que oferecer melhores condições, rede mais ampla ou serviços mais vantajosos. Isso inclui não apenas os créditos futuros, mas também os saldos já acumulados no cartão.

Transferência de saldo e portabilidade do benefício

A nova regra permite a portabilidade do vale, algo parecido com o que já acontece com contas bancárias e planos de telefonia. O trabalhador poderá transferir o saldo existente de uma operadora para outra, sem perder valores e sem precisar esperar o uso total do crédito antigo.

Essa mudança tende a aumentar a concorrência entre as empresas do setor, que passarão a disputar diretamente o usuário final, e não apenas contratos corporativos.

Teto para taxas cobradas de bares, restaurantes e mercados

Outro ponto central das mudanças é o limite nas taxas cobradas dos estabelecimentos. A partir das novas regras, bares, restaurantes e mercados só poderão pagar até 3,6% de taxa às operadoras de VA e VR.

Antes, esse percentual chegava a cerca de 10%, o que reduzia o lucro dos comerciantes e, muitas vezes, encarecia os preços para o consumidor final. Com o teto, a expectativa é aliviar o caixa dos estabelecimentos e incentivar uma maior aceitação dos vales.

Fim do “rebate” e mais transparência no sistema

Também está proibida a prática conhecida como “rebate”. Nesse mecanismo, as operadoras ofereciam descontos às empresas contratantes, mas compensavam essa redução cobrando taxas mais altas dos bares e restaurantes.

Com a proibição, o sistema tende a ficar mais transparente, evitando distorções e repasses indiretos de custos. A ideia é impedir que um elo da cadeia pague a conta do benefício concedido a outro.

Impactos esperados para trabalhadores e comércio

Para os trabalhadores, as mudanças podem significar mais opções, melhor aceitação dos cartões e serviços mais modernos. Para bares, restaurantes e mercados, a redução das taxas representa alívio financeiro e maior previsibilidade.

Já para as operadoras, o cenário passa a ser de competição mais intensa, exigindo inovação, melhor atendimento e taxas mais justas para manter e conquistar clientes.

As novas regras do Vale Alimentação e do Vale Refeição marcam uma tentativa de modernização de um benefício essencial para milhões de brasileiros.

Se os objetivos forem cumpridos, o setor pode se tornar mais equilibrado, competitivo e vantajoso para quem trabalha, para quem vende e para quem administra o sistema.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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