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Mulher que usou Mounjaro comprado no Paraguai acende alerta para síndrome grave

Por Leticia Florenço
26/01/2026
Em Mais Tendências, Colunas
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Mounjaro - Reprodução

Mounjaro - Reprodução

A internação de uma mulher de 42 anos, moradora de Belo Horizonte, após o uso de uma caneta emagrecedora comprada no Paraguai, trouxe à tona um alerta que vai muito além de um episódio isolado.

O produto, conhecido popularmente como “Mounjaro do Paraguai” e comercializado sob o nome Lipoless, é divulgado como se contivesse tirzepatida, substância utilizada em medicamentos modernos para o controle do diabetes tipo 2 e da obesidade.

No entanto, a caneta não possui autorização da Anvisa para uso ou venda no Brasil.

Segundo relatos de familiares divulgados nas redes sociais, a paciente desenvolveu a síndrome de Guillain-Barré, uma condição neurológica rara, grave e potencialmente fatal.

O caso rapidamente ganhou repercussão por expor os riscos associados ao consumo de medicamentos irregulares, especialmente aqueles adquiridos fora do controle sanitário oficial.

A promessa do emagrecimento rápido e o risco invisível

O uso de canetas emagrecedoras se popularizou nos últimos anos, impulsionado por relatos de perda de peso rápida e pela ampla divulgação nas redes sociais. Nesse cenário, produtos ilegais acabam encontrando espaço, principalmente entre pessoas que buscam alternativas mais baratas ou acessíveis.

A Lipoless, produzida por uma indústria farmacêutica do Paraguai, é um exemplo desse mercado paralelo que cresce à margem da fiscalização brasileira.

O problema central está no fato de que medicamentos não regulamentados não passam por testes rigorosos de segurança, eficácia e qualidade.

Não há garantias sobre a composição real do produto, sobre a dosagem correta da substância anunciada ou mesmo sobre possíveis contaminações durante o processo de fabricação e armazenamento.

O que é a síndrome de Guillain-Barré e por que ela assusta

A síndrome de Guillain-Barré é considerada um distúrbio autoimune raro, no qual o próprio sistema imunológico passa a atacar os nervos periféricos. Essa reação provoca inflamação e danos à mielina, camada responsável pela condução dos impulsos nervosos, o que compromete a comunicação entre o cérebro e os músculos.

A incidência anual é relativamente baixa, variando entre um e quatro casos a cada 100 mil habitantes, mas a gravidade do quadro torna a doença especialmente preocupante.

Em muitos casos, os sintomas surgem semanas após uma infecção, quando o organismo, ao tentar se defender, acaba reagindo de forma equivocada contra si mesmo.

Os primeiros sinais costumam ser discretos, como formigamento, dormência ou sensação de queimação nos pés e nas pernas. Com o passar dos dias, esses sintomas podem evoluir para fraqueza muscular progressiva, perda de reflexos, dificuldade de coordenação e dores neuropáticas intensas, especialmente na região lombar.

Em quadros mais graves, a fraqueza se espalha para os braços, mãos, tórax e face, podendo comprometer funções vitais. Há registros de dificuldade para engolir, alterações na fala e, nos casos mais severos, insuficiência respiratória, situação que demanda internação imediata em unidade de terapia intensiva.

Gravidade, complicações e risco de morte

Apesar de rara, a síndrome de Guillain-Barré não deve ser subestimada. Dados do Ministério da Saúde indicam que entre 5% e 15% dos pacientes podem evoluir para óbito, principalmente quando há comprometimento do sistema respiratório.

Mesmo entre aqueles que sobrevivem, a recuperação costuma ser lenta e pode levar meses ou até anos.

Alguns pacientes apresentam sequelas neurológicas permanentes, como fraqueza muscular residual, dores crônicas e limitações motoras, o que impacta diretamente a qualidade de vida.

Tratamento disponível e importância do diagnóstico precoce

No Brasil, o tratamento da síndrome é oferecido pelo SUS e envolve principalmente o uso de imunoglobulina intravenosa ou a plasmaférese, procedimentos que ajudam a regular o sistema imunológico e a reduzir o ataque aos nervos.

Além disso, a fisioterapia desempenha papel fundamental na reabilitação, auxiliando na recuperação dos movimentos e na prevenção de complicações secundárias.

O diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico. Quanto mais rápido o tratamento é iniciado, menores são as chances de sequelas graves e maior é a possibilidade de recuperação funcional.

A possível relação com medicamentos irregulares

Especialistas ressaltam que a síndrome de Guillain-Barré é mais frequentemente associada a infecções virais e bacterianas do que ao uso de medicamentos específicos. No entanto, quando se trata de produtos não regulamentados, o cenário muda.

Medicamentos adquiridos no mercado ilegal podem conter impurezas, toxinas ou até microrganismos capazes de desencadear respostas imunológicas anormais.

Nesses casos, não é possível descartar uma relação indireta entre o uso do produto e o desenvolvimento da síndrome, especialmente se houver contaminação durante a fabricação.

Um alerta que vai além de um único caso

O episódio envolvendo a paciente de Belo Horizonte expõe um problema maior: a banalização do uso de medicamentos sem prescrição ou fiscalização adequada. A busca por soluções rápidas para emagrecimento, aliada à desinformação, cria um terreno fértil para riscos graves à saúde.

O que começa como uma promessa de mudança estética pode terminar em internações prolongadas, danos neurológicos irreversíveis e, em situações extremas, na perda da vida.

O caso serve como um alerta Medicamentos sem registro não são apenas ilegais, mas representam um risco concreto à saúde pública. Qualquer tratamento para emagrecimento deve ser feito com acompanhamento médico, uso de produtos aprovados e respeito às orientações das autoridades sanitárias.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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