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Netflix é processada por escritores brasileiros por acusação de plágio

Por Leticia Florenço
26/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Justiça - Reprodução/iStock

Justiça - Reprodução/iStock

A Netflix voltou a se ver no centro de uma disputa judicial no Brasil, desta vez envolvendo escritores nacionais e acusações de plágio.

O caso chama atenção não apenas pelo valor milionário da indenização solicitada, mas também por reacender uma discussão antiga e sensível: até que ponto grandes produções audiovisuais podem se inspirar em obras literárias sem ultrapassar a linha da violação de direitos autorais?

O processo foi movido por um casal de escritores brasileiros que afirma ter tido sua obra literária indevidamente apropriada em um filme de grande alcance da plataforma.

Quem são os autores e qual é a obra original

João e Lídia Ribeiro, escritores independentes, afirmam ser os autores do livro “Juilliard – A Arte do Amor”, publicado em 2018 na Amazon sob pseudônimos.

A obra, segundo eles, foi disponibilizada publicamente anos antes do início da produção do filme questionado, o que, na visão da defesa, comprova a possibilidade de acesso ao conteúdo por parte da equipe envolvida no longa.

O livro acompanha a trajetória de uma jovem pianista talentosa que, ao mesmo tempo em que luta para consolidar sua carreira musical, enfrenta uma doença grave. A narrativa se desenvolve a partir do equilíbrio entre fragilidade física, paixão pela música e o fortalecimento emocional por meio de um relacionamento amoroso.

O filme “Depois do Universo” e a semelhança apontada

Lançado em 2022, “Depois do Universo” rapidamente ganhou destaque no catálogo da Netflix.

Dirigido por Diego Freitas e estrelado por Giulia Be, o longa apresenta a história de uma pianista diagnosticada com lúpus, que aguarda um transplante de rim enquanto se envolve emocionalmente com um médico responsável por seu tratamento.

Segundo os autores do livro, as semelhanças entre as duas narrativas vão além de coincidências genéricas e alcançam elementos considerados estruturais da história, como:

  • Perfil psicológico e artístico da protagonista
  • Relação direta entre música clássica e superação da doença
  • Arco emocional construído a partir da fragilidade física
  • Desenvolvimento do romance como suporte para a realização dos sonhos
  • Sequência de eventos dramáticos semelhantes ao longo da trama

As 70 coincidências citadas no processo

Na ação que tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo, os escritores afirmam ter identificado cerca de 70 pontos de coincidência entre o livro e o roteiro do filme.

De acordo com a petição, não se trata apenas de temas universais, mas de uma combinação específica de personagens, conflitos, ambientações e desfechos que, juntos, configurariam plágio.

Os autores pedem uma indenização de R$ 70 milhões por danos materiais e morais, argumentando que a produção audiovisual teria se beneficiado comercialmente de uma história já concebida e divulgada anteriormente, sem qualquer autorização ou crédito.

A responsabilidade da plataforma e dos criadores

O processo não se limita à Netflix enquanto empresa distribuidora. A ação também mira os responsáveis diretos pela criação do filme, incluindo produtores e demais envolvidos no desenvolvimento do roteiro.

Para os autores, a responsabilidade é compartilhada, já que o longa foi produzido, promovido e explorado comercialmente dentro de uma estrutura empresarial robusta.

Esse ponto levanta um debate relevante sobre o papel das plataformas de streaming na verificação da originalidade de obras que entram em seus catálogos, especialmente quando há potencial de inspiração em materiais disponíveis publicamente.

A defesa e o silêncio oficial

Até o momento, a defesa sustenta que o livro estava acessível ao público antes do início da produção do filme, o que reforçaria a tese de possibilidade de contato com a obra original.

Ainda assim, a Netflix e os representantes do longa não emitiram comunicados oficiais detalhando sua posição sobre o andamento do processo ou rebatendo diretamente as acusações.

O silêncio, comum em disputas judiciais em curso, não impede que o caso gere repercussão entre escritores independentes, produtores culturais e especialistas em direitos autorais.

Enquanto o processo segue em tramitação, o caso permanece como símbolo de uma discussão maior sobre criatividade, reconhecimento e justiça no setor cultural.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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