Durante a United European Gastroenterology (UEG) Week 2025, realizada em Berlim, Alemanha, foram discutidas abordagens inovadoras para o tratamento da retocolite ulcerativa (RCU), englobando intervenções cirúrgicas, novas diretrizes e terapias atualizadas.
Um dos temas centrais foi a apendicectomia, explorada como uma potencial alternativa terapêutica. Estudos anteriores apontaram uma relação inversa entre a remoção do apêndice e o desenvolvimento da RCU, sugerindo que o órgão pode ter funções imunológicas ou servir como reservatório de bactérias comensais.
Tratamento da RCU
Pesquisas observacionais, como o estudo PASSION, indicaram que pacientes com RCU refratária submetidos à apendicectomia laparoscópica apresentaram resposta clínica prolongada em 30% dos casos após 12 meses, sendo que 17% atingiram remissão endoscópica.
Ensaios clínicos randomizados, como o ACCURE, corroboraram esses resultados, evidenciando que a cirurgia pode superar a terapia padrão na manutenção da remissão em adultos com RCU, reduzindo a taxa de recidiva de 56,1% para 36,4% em um ano.
Cirurgia de apêndice
Os achados mais recentes foram obtidos no estudo COSTA, publicado no The Lancet Gastroenterology & Hepatology, um ensaio de coorte internacional, multicêntrico e baseado na escolha dos pacientes, realizado em cinco hospitais na Holanda.
- Pacientes: 116 com RCU ativa, já tratados com biológicos.
- Tratamentos: apendicectomia laparoscópica ou inibidor de JAK.
- Objetivo: remissão clínica em 12 meses sem precisar trocar terapia, usar corticosteroides, participar de ensaio ou fazer colectomia.
- Resultados:
- Remissão: 33% apendicectomia × 12% JAK
- Resposta clínica: 73% × 53%
- Resposta endoscópica: 48% × 26%
- Segurança: efeitos adversos semelhantes; complicações da cirurgia foram raras e leves.
O estudo mostrou que a cirurgia, combinada com tratamento avançado, é uma opção segura para pacientes com RCU ativa que já usaram biológicos, podendo trazer melhores resultados do que trocar para inibidores de JAK.






