Uma mudança nas regras de jornada de trabalho em um país da América Latina voltou a chamar atenção ao confirmar um modelo com mais horas semanais do que o praticado no Brasil e sem ampliação de pausas ao longo do expediente.
A decisão ocorre em meio a discussões sobre redução da carga horária, mas, na prática, mantém um formato considerado mais rígido quando comparado ao padrão brasileiro atual.
Jornada de trabalho sem pausas e com mais horas é confirmada por país
O país em questão é o México. Mesmo com a confirmação de que a jornada semanal deve ser reduzida nos próximos anos, o modelo mexicano seguirá exigindo longos períodos diários de trabalho e sem flexibilização adicional dos intervalos.
Atualmente, a legislação mexicana permite até 48 horas semanais, distribuídas geralmente em seis dias, com apenas um dia de descanso obrigatório.
A proposta em debate prevê a redução gradual para 40 horas, mas essa mudança não elimina o fato de que os turnos continuam concentrados e com pausas mínimas já previstas em lei, sem expansão de descansos ao longo do dia.
Na prática, isso significa que os trabalhadores mexicanos continuarão cumprindo jornadas diárias extensas para compensar a diminuição do número total de horas semanais.
O governo do país afirma que não haverá retirada de direitos formais, como o intervalo para alimentação, mas também não está prevista a criação de novas pausas obrigatórias.
Empresas seguem autorizadas a organizar turnos longos, desde que respeitem o limite semanal definido pela reforma.
A transição não será imediata. A redução deve ocorrer de forma escalonada, ao longo de vários anos, permitindo que empresas reorganizem escalas, contratem novos funcionários ou invistam em automação.
Setores como indústria, logística, saúde e call centers são apontados como os mais impactados, já que funcionam de maneira contínua e dependem de revezamento constante de equipes.
Brasil também discute redução na jornada de trabalho
Enquanto isso, no Brasil, o debate segue em outra direção. A jornada atual de 44 horas semanais já é menor do que a mexicana, e propostas em análise no Congresso defendem mudanças mais profundas.
Entre elas está o fim da escala 6×1, modelo comum em comércio e serviços, e a adoção de semanas com 36 ou 40 horas, mantendo dois dias de descanso.
A discussão envolve argumentos sobre qualidade de vida, saúde mental e geração de empregos, mas enfrenta resistência de parte do setor empresarial.
Embora ambos os países falem em modernização das relações de trabalho, o contraste é claro. No México, a confirmação é de uma jornada ainda mais longa do que a brasileira e sem ampliação de pausas.
No Brasil, o foco está em reduzir dias trabalhados e rever modelos considerados desgastantes, ainda que sem definição final sobre quando ou como essas mudanças sairão do papel.






