Durante décadas, a Amazônia foi apresentada como o “pulmão da Terra”, uma imagem repetida em livros escolares, discursos ambientais e reportagens ao redor do mundo.
A associação fazia sentido à primeira vista: trata-se da maior floresta tropical do planeta, com uma extensão gigantesca de vegetação capaz de realizar fotossíntese.
No entanto, estudos científicos mais recentes mostram que esse título simbólico não descreve com precisão o funcionamento real do planeta.
As pesquisas indicam que outro ecossistema exerce papel ainda mais decisivo na produção de oxigênio, mas sem diminuir a relevância da floresta amazônica para o equilíbrio ambiental global.
Amazônia não é mais o pulmão da Terra após descoberta de cientistas
A ideia de que a Amazônia seria o pulmão do mundo surgiu a partir da observação de sua densa cobertura vegetal.
Árvores, plantas e outros organismos vegetais absorvem dióxido de carbono e liberam oxigênio durante a fotossíntese, processo essencial para a vida na Terra.
Como a floresta amazônica abriga trilhões de árvores e uma biodiversidade impressionante, criou-se a percepção de que ela seria responsável por abastecer o planeta com grandes quantidades de oxigênio disponível para os seres vivos.
O que as pesquisas demonstram, porém, é que a lógica não é tão simples. Para que um ecossistema seja considerado um verdadeiro “pulmão”, não basta produzir oxigênio; é necessário que haja um excedente significativo desse gás sendo liberado para a atmosfera.
No caso da Amazônia, grande parte do oxigênio gerado é consumida dentro do próprio ambiente.
Plantas, animais, fungos e microrganismos utilizam esse oxigênio nos processos de respiração e decomposição, fazendo com que o balanço final seja próximo do zero.
Oceanos devem ser considerados o pulmão da Terra, apesar de toda a importância da Amazônia
Os cientistas apontam que o papel mais próximo do conceito de pulmão da Terra pertence aos oceanos. Neles vivem os fitoplânctons, organismos microscópicos que flutuam próximos à superfície e realizam fotossíntese em escala global.
Apesar de invisíveis a olho nu, eles estão espalhados por praticamente todos os mares e são responsáveis por produzir entre metade e mais de dois terços do oxigênio presente na atmosfera, liberando uma quantidade que ultrapassa o consumo imediato do próprio ecossistema marinho.
Mesmo sem o título simbólico, a Amazônia continua sendo fundamental para o planeta.
A floresta atua como um grande regulador climático, influencia o regime de chuvas em diferentes continentes, armazena enormes volumes de carbono e abriga uma biodiversidade única.
Sua preservação permanece essencial não por ser o pulmão da Terra, mas por sustentar processos ecológicos sem os quais o equilíbrio ambiental global estaria seriamente ameaçado.





