Uma dívida estimada por credores em cerca de R$ 1 bilhão levou uma empresa de origem coreana que atuava no Ceará a recorrer à Justiça para pedir falência.
O caso envolve a Posco Engenharia e Construção do Brasil, companhia criada especificamente para executar uma das maiores obras industriais já realizadas no estado, a usina siderúrgica CSP, localizada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém.
Dívida de R$ 1 bilhão faz empresa coreana no Ceará pedir falência
A empresa brasileira é controlada pela sul-coreana Posco Engineering & Construction Co e foi constituída com um objetivo bem definido: tocar a construção da usina da Companhia Siderúrgica do Pecém.
O contrato, firmado no início da década passada, previa a entrega de um empreendimento avaliado em US$ 5,5 bilhões. A planta começou a operar em 2016 e, segundo os autos, o valor do contrato foi integralmente pago à construtora.
Apesar disso, fornecedores, prestadores de serviços e trabalhadores afirmam que os atrasos e a inadimplência começaram ainda durante a execução do projeto.
Após a conclusão da obra, a Posco não conseguiu novos contratos de grande porte no Brasil. A situação se agravou com o passar dos anos, em meio a disputas judiciais, cobranças trabalhistas e débitos tributários.
Empresa coreana pediu falência em setembro
Em setembro de 2025, a empresa ingressou com pedido de autofalência na Justiça do Ceará.
Ao adotar essa medida, a construtora conseguiu suspender execuções em andamento, interromper a incidência de juros e reunir todas as cobranças em um único processo, o que reduziu significativamente as perspectivas de recuperação integral dos créditos.
No pedido apresentado ao Judiciário, a Posco reconhece um passivo de aproximadamente R$ 644 milhões. Esse valor, no entanto, é contestado por credores, que sustentam que o montante real se aproxima de R$ 1 bilhão.
As dívidas envolvem ações trabalhistas, tributos federais, créditos sem garantia e obrigações com empresas do próprio grupo econômico.
Há também divergências em relação aos valores cobrados pela Fazenda Nacional, que aponta débitos superiores aos informados pela companhia.
A situação patrimonial da empresa no Brasil é considerada insuficiente para cobrir o passivo. Os bens declarados incluem um terreno de baixo valor, um veículo inutilizado e recursos financeiros irrisórios.
Diante desse cenário, credores se organizaram para questionar os números apresentados e buscam responsabilizar a controladora sul-coreana.
Em decisões judiciais recentes, já houve autorização para que execuções alcancem a matriz e outras empresas do grupo, ampliando o alcance das cobranças enquanto o processo de falência segue em andamento.






