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Médicos acendem alerta para números de idosos usando canetas emagrecedoras

Por Leticia Florenço
21/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Canetas emagrecedoras - Reprodução/iStock

Canetas emagrecedoras - Reprodução/iStock

O crescimento do uso das chamadas canetas emagrecedoras entre idosos tem despertado atenção da comunidade médica.

Medicamentos agonistas do GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, passaram a ser amplamente utilizados não apenas para emagrecimento, mas também para o controle de doenças como diabetes tipo 2, colesterol elevado e hipertensão.

Embora sejam considerados seguros em diferentes faixas etárias, especialistas alertam que o envelhecimento traz particularidades que podem intensificar efeitos colaterais e exigir acompanhamento mais rigoroso.

Promessa de controle metabólico impulsiona adesão

O avanço da idade costuma vir acompanhado de alterações metabólicas, ganho de peso e aumento da gordura abdominal. Nesse contexto, os agonistas do GLP-1 se tornaram atrativos por atuarem simultaneamente na redução do apetite e na melhora dos exames laboratoriais.

Muitos idosos relatam queda significativa nos níveis de glicose, triglicérides e colesterol, além de perda de peso progressiva, o que contribui para a popularização desses medicamentos nessa faixa etária.

Redução da fome e da sede exige atenção redobrada

Um dos principais mecanismos das canetas emagrecedoras é o aumento da sensação de saciedade. O problema é que, em idosos, a diminuição da fome e da sede já faz parte do processo natural de envelhecimento.

Com a medicação, esse efeito pode se intensificar, elevando o risco de desidratação, comprometimento da função renal, infecção urinária e episódios de hipoglicemia causados por longos períodos sem alimentação adequada.

Efeitos gastrointestinais podem agravar riscos

Os efeitos colaterais mais comuns desses medicamentos são gastrointestinais. Náuseas, vômitos, diarreia ou intestino preso aparecem com frequência, especialmente no início do tratamento ou após ajustes de dose.

Em idosos, esses sintomas podem ter impacto maior, pois reduzem ainda mais a ingestão de líquidos e alimentos e favorecem a perda de nutrientes essenciais.

Em situações como viroses ou infecções intestinais, médicos costumam recomendar a interrupção temporária da medicação para preservar a hidratação e estabilizar o organismo.

Deficiência nutricional pode passar despercebida

Estudos indicam que os agonistas do GLP-1 reduzem significativamente a ingestão calórica, mas nem sempre garantem uma alimentação equilibrada. Muitos usuários deixam de consumir quantidades adequadas de vitaminas, minerais e proteínas.

Em idosos, isso pode levar a um quadro de desnutrição silenciosa, que nem sempre se reflete imediatamente em perda de peso extrema, mas compromete a saúde a médio e longo prazo.

Importância da proteína na alimentação diária

Especialistas em nutrição reforçam que a ingestão proteica deve ser prioridade durante o uso dessas medicações. Alimentos ricos em proteína promovem maior saciedade e ajudam a preservar a massa muscular, fundamental para a funcionalidade do idoso.

A recomendação é iniciar as refeições pela proteína, seguida de grãos, legumes e verduras, além de fracionar a alimentação ao longo do dia em pequenas porções.

Perda de massa muscular é preocupação central

Todo emagrecimento envolve perda de massa magra, e estima-se que cerca de um terço do peso eliminado seja composto por músculos. Com o envelhecimento, ocorre naturalmente a sarcopenia, caracterizada pela redução progressiva da massa e da força muscular.

Quando o emagrecimento é acelerado pelo uso de canetas emagrecedoras, esse processo pode se intensificar, aumentando o risco de quedas, limitações de mobilidade e perda de autonomia.

Exercício físico define o sucesso do tratamento

Especialistas são unânimes ao afirmar que não há emagrecimento saudável na terceira idade sem exercício físico. Atividades resistidas, como musculação, pilates e exercícios funcionais, são essenciais para preservar a força, o equilíbrio e a independência.

Avaliações como velocidade da marcha, facilidade para subir escadas e capacidade de se levantar de uma cadeira ajudam a medir o impacto da perda muscular no dia a dia do idoso.

Emagrecer não deve ser o objetivo final

Médicos reforçam que as canetas emagrecedoras não são indicadas para fins estéticos, especialmente entre idosos. O tratamento só deve ser considerado quando há indicação clínica clara e sempre associado a acompanhamento médico, nutricional e físico.

Sem essa integração, a perda de peso pode resultar em fragilidade e piora da qualidade de vida.

As canetas emagrecedoras representam um avanço importante no controle de doenças metabólicas, inclusive na população idosa. No entanto, o uso indiscriminado ou sem acompanhamento adequado pode trazer riscos.

Para os especialistas, o verdadeiro sucesso do tratamento não está apenas nos quilos a menos, mas na manutenção da funcionalidade, da autonomia e da saúde global ao longo do envelhecimento.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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