Um grande prédio pertencente à Meta, empresa que controla WhatsApp, Instagram e Facebook, passou a ser apontado por moradores como o responsável por uma crise silenciosa no abastecimento de água e pelo aumento de barro e resíduos nas torneiras.
Em cidades onde a companhia instalou data centers, moradores relatam que a rotina mudou depois da chegada dessas estruturas, marcadas pelo alto consumo de água e por impactos diretos no solo e nos lençóis freáticos.
Situações semelhantes já foram registradas em diferentes partes do mundo que concentram esse tipo de instalação tecnológica.
Prédio do WhatsApp deixa moradores quase sem água e com muito barro
O caso mais recente envolve áreas rurais do estado da Geórgia, nos Estados Unidos, onde data centers da Meta, usados para WhatsApp e redes sociais, foram construídos próximos a bairros residenciais.
Desde então, moradores afirmam que a pressão da água diminuiu drasticamente e que o líquido passou a sair turvo, com aparência barrenta.
Em algumas casas, a água não tem força suficiente sequer para acionar descargas, obrigando famílias a armazenar água em baldes para tarefas básicas.
Os relatos indicam que os problemas começaram após o início das obras e da operação do prédio. Isso porque a construção de data centers exige grandes movimentações de terra, perfuração do solo e alterações no entorno.
Para comunidades que dependem de poços particulares ou sistemas locais de abastecimento, essas mudanças podem afetar diretamente a estabilidade do solo e aumentar a quantidade de sedimentos que chegam à água consumida no dia a dia.
Por que as instalações do WhatsApp afetam o fornecimento de água?
As instalações da Meta abrigam milhares de servidores responsáveis por armazenar e processar dados de aplicativos, como o WhatsApp, usados por bilhões de pessoas.
Esses equipamentos funcionam ininterruptamente e geram muito calor, o que exige sistemas de resfriamento intensivos. Em muitos casos, esse resfriamento depende do uso constante de grandes volumes de água, que é retirada da rede local ou de fontes subterrâneas.
Esse consumo elevado pode reduzir a disponibilidade de água para a população ao redor, especialmente em regiões menos preparadas para essa demanda.
Enquanto a empresa afirma cumprir todas as normas ambientais e nega relação direta entre os data centers e os problemas enfrentados pelos moradores, a desconfiança cresce.
Para quem vive próximo aos prédios, a percepção é de que o avanço tecnológico está ocorrendo às custas de recursos básicos, como água limpa e acessível.
Especialistas alertam que, sem planejamento adequado e fiscalização rigorosa, a instalação de data centers pode gerar conflitos entre comunidades locais e grandes empresas de tecnologia.
O desafio, segundo eles, é garantir que a expansão digital não comprometa a qualidade de vida de quem vive ao redor desses empreendimentos, nem pressione ainda mais um recurso essencial como a água.






