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Autoridade sanitária pune gigante farmacêutica por fabricar sem autorização

Por Leticia Florenço
16/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Remédio - Reprodução/iStock

Remédio - Reprodução/iStock

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou ao centro do debate regulatório ao aplicar uma penalidade contra a EMS, considerada a maior farmacêutica do Brasil.

O caso, que tramitou sob sigilo por quase dez anos, veio a público recentemente e reacende discussões sobre fiscalização, prevenção de riscos e o cumprimento rigoroso das normas sanitárias no país.

Multa aplicada após uma década de tramitação

A punição refere-se à fabricação de 154 medicamentos em uma unidade que, naquele momento, não possuía autorização formal da Anvisa para operar.

A infração ocorreu em 2015, mas o processo administrativo só foi concluído definitivamente no fim de 2025, após o esgotamento de todos os recursos apresentados pela empresa.

A multa foi fixada inicialmente em R$ 48 mil, ainda em 2017. Com a correção pela inflação acumulada ao longo dos anos, o valor pode chegar hoje a cerca de R$ 73 mil, quantia considerada modesta diante do porte da empresa, mas simbólica do ponto de vista regulatório.

Mudança de fábrica sem aval prévio do órgão regulador

Segundo a Anvisa, o problema teve origem quando a EMS Sigma Pharma transferiu a produção de diversos medicamentos de sua planta em Hortolândia (SP) para a fábrica da Novamed, em Manaus, pertencente ao mesmo grupo econômico.

A fiscalização apontou que a mudança ocorreu sem a submissão prévia obrigatória à Anvisa, etapa considerada essencial para garantir que o novo local estivesse plenamente apto a produzir medicamentos dentro dos padrões exigidos.

Falhas regulatórias e ausência de justificativa técnica

Nos autos do processo, a Anvisa destacou que a alteração da linha de produção foi feita sem atender às exigências regulatórias e sem apresentar uma justificativa técnica adequada para a transferência naquele momento específico.

Para o órgão, não se tratou apenas de uma falha burocrática, mas de uma conduta que desconsiderou protocolos essenciais de controle sanitário, responsáveis por assegurar a qualidade, a rastreabilidade e a segurança dos medicamentos.

Argumentos da defesa e rejeição pela Anvisa

Durante o processo, a EMS alegou que teria recebido “autorizações excepcionais” em reuniões com diretores da Anvisa e sustentou que não houve qualquer risco sanitário para a população.

No entanto, a agência reguladora refutou ambas as alegações. A Anvisa afirmou que autorizações verbais não substituem atos administrativos formais e que a inexistência de dano comprovado não elimina a infração.

Entendimento da Anvisa sobre risco à saúde

O diretor e relator do processo, Daniel Meirelles, reforçou em seu voto que a atuação da vigilância sanitária é, por definição, preventiva. Segundo ele, não é necessário que um dano concreto aconteça para que se configure risco à saúde pública.

Esse entendimento foi acompanhado pela diretoria colegiada da Anvisa, que em novembro do ano passado negou o último recurso da farmacêutica, encerrando definitivamente o caso.

Para a Anvisa, permitir a produção sem autorização prévia abre precedentes perigosos e enfraquece o sistema de controle sanitário. O órgão sustenta que o cumprimento rigoroso das normas é indispensável, especialmente em um setor que lida diretamente com a saúde de milhões de pessoas.

Posicionamento oficial da EMS

Em nota, a EMS afirmou que todos os 154 medicamentos citados são seguros, aprovados e regulares. A empresa classificou o processo como algo comum no setor farmacêutico e declarou que todas as irregularidades apontadas foram sanadas ainda à época dos fatos.

A farmacêutica também ressaltou que a unidade de Manaus opera atualmente com autorizações vigentes, passa por inspeções periódicas e segue rigorosamente as Boas Práticas de Fabricação exigidas pela Anvisa.

Caso levanta debate sobre transparência e punições

Apesar do valor relativamente baixo da multa, o episódio chama atenção pelo tempo de tramitação, pelo sigilo prolongado e pelo impacto institucional da decisão.

O caso reacende o debate sobre a eficácia das penalidades, a transparência dos processos administrativos e o equilíbrio entre punição, prevenção e segurança sanitária no Brasil.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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