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O cientista brasileiro que mudou a forma como o mundo enxerga os ultraprocessados

Por Leticia Florenço
16/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Foto: (Imagem/Reprodução)

Foto: (Imagem/Reprodução)

O epidemiologista brasileiro Carlos Augusto Monteiro é referência internacional em nutrição e saúde pública.

Pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), ele lidera o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), onde desenvolveu estudos pioneiros sobre alimentação e doenças crônicas.

Cozinhar não é perda de tempo, é ganho de vida, diz brasileiro que  transformou a ciência da nutrição - Estadão
Carlos Augusto Monteiro

Monteiro é o responsável por popularizar o conceito de alimentos ultraprocessados, que hoje é usado globalmente para analisar padrões de consumo e seus impactos na saúde.

A criação do conceito de ultraprocessados

O termo “alimentos ultraprocessados” surgiu de um trabalho coletivo de pesquisa conduzido por Monteiro e sua equipe na USP.

Diferente de alimentos tradicionais, esses produtos são feitos a partir de ingredientes isolados, como gorduras, açúcares e proteínas, e enriquecidos com aditivos cosméticos, como aromatizantes, corantes e emulsificantes.

A intenção é tornar os produtos mais saborosos e viciantes, estimulando o consumo excessivo e substituindo a alimentação caseira tradicional.

Riscos à saúde

Estudos liderados por Monteiro mostram que o consumo crescente de ultraprocessados está ligado a obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e outras enfermidades crônicas.

Esses alimentos combinam alta densidade calórica com baixa presença de fibras e nutrientes essenciais, criando um efeito de saciedade enganosa. O corpo humano não está adaptado para metabolizar essas formulações artificiais, e o resultado é um padrão alimentar prejudicial à saúde pública.

A indústria por trás dos ultraprocessados

Monteiro explica que a produção desses alimentos segue um modelo de negócios altamente lucrativo. Ingredientes baratos e de longa durabilidade são transformados por tecnologia alimentar avançada em produtos irresistíveis.

O objetivo das corporações é maximizar lucros, muitas vezes à custa da saúde da população. Produtos como pães industrializados, iogurtes artificiais, refrigerantes e snacks são fabricados para estimular consumo contínuo e substituem alimentos tradicionais, como arroz, feijão, leite e frutas.

Reconhecimento internacional

O trabalho de Monteiro ganhou destaque internacional, culminando em uma edição especial da revista científica The Lancet. O volume incluiu artigos sobre os impactos dos ultraprocessados, um perfil da carreira do cientista e um editorial reforçando que “a saúde pública precisa estar à frente dos lucros”.

Monteiro defende políticas públicas semelhantes às do controle do tabaco, como taxação, restrição de publicidade e rotulagem clara, para reduzir os danos causados por esses alimentos.

Antes focadas na desnutrição infantil, as pesquisas de Monteiro passaram a investigar as causas da epidemia global de obesidade.

Ele e sua equipe observaram que o excesso de gordura e açúcar na dieta não vinha dos alimentos tradicionais, mas de produtos ultraprocessados, abrindo caminho para novas estratégias de prevenção e conscientização.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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