Pouca gente imagina, mas o Brasil já foi alcançado por um tsunami. O episódio é antigo, pouco divulgado e não faz parte do imaginário coletivo como outros grandes desastres naturais.
Ainda assim, há registros históricos e evidências científicas que indicam que um raro tsunami atingiu o Nordeste brasileiro no século XVIII, provocando danos reais à população da época.
Nordeste brasileiro foi afetado por tsunami nunca sentido antes
O evento ocorreu em 1º de novembro de 1755, no mesmo dia em que um dos maiores terremotos da história devastou Lisboa, em Portugal.
O sismo, estimado em magnitude 8,7, teve impacto em várias regiões da Europa e do norte da África e gerou ondas gigantes no Oceano Atlântico. Essas ondas atravessaram o oceano e, horas depois, alcançaram o litoral brasileiro.
No Brasil, os efeitos foram percebidos principalmente na faixa costeira entre o Rio Grande do Norte e o sul de Pernambuco, com registros mais detalhados em áreas da Paraíba e de Pernambuco.
Cartas oficiais escritas por autoridades coloniais da época descrevem um comportamento incomum do mar.
Segundo esses relatos, a água avançou além do normal, invadiu áreas habitadas, destruiu casas simples feitas de palha e madeira e provocou pânico entre moradores das regiões litorâneas e ribeirinhas.
Há também registros de desaparecimento de pessoas, com pelo menos duas mortes associadas diretamente à invasão do mar.
Em alguns locais, a água avançou quilômetros para dentro do continente, especialmente em áreas próximas a rios, estuários e terrenos mais baixos, onde o efeito das ondas foi intensificado.
Estudo confirmou tsunami no Nordeste brasileiro
Durante muito tempo, esses relatos ficaram restritos a arquivos históricos em Portugal. Estudos mais recentes, conduzidos por pesquisadores brasileiros da UERJ, ajudaram a confirmar que não se tratava apenas de uma ressaca forte.
Modelagens matemáticas e simulações indicam que as ondas chegaram a cerca de dois metros de altura em determinados pontos do litoral nordestino.
Além disso, trabalhos de campo identificaram sinais físicos compatíveis com a passagem de um tsunami, como camadas de areia grossa e materiais marinhos depositados em locais que não seriam alcançados por marés comuns.
Esses vestígios reforçam a tese de que o Nordeste brasileiro foi, de fato, atingido por um tsunami de pequena escala.
Embora distante da destruição causada por tsunamis modernos em outras partes do mundo, o episódio de 1755 permanece como um dos raros casos documentados de um fenômeno desse tipo alcançando o Brasil.
Ele também serve como lembrança de que, mesmo em áreas consideradas seguras, eventos naturais extremos podem ocorrer, ainda que de forma excepcional.






