A prisão do empresário Fernando Sampaio de Souza e Silva, de 36 anos, reacendeu a atenção nacional para um caso que se estende há anos e envolve centenas de denúncias espalhadas por diversos estados brasileiros.
Proprietário da empresa Outsider Tours, especializada na venda de pacotes turísticos e ingressos para grandes eventos esportivos, Fernando foi detido em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, após um período de monitoramento realizado pela Polícia Civil do Pará.
As investigações começaram no sudeste do Pará e avançaram para outros estados à medida que a polícia passou a acompanhar os passos do empresário.
Durante cerca de um mês, os agentes monitoraram seus deslocamentos pelo Rio de Janeiro e por Santa Catarina, até que a prisão preventiva foi cumprida no momento em que ele deixava um prédio de alto padrão em Balneário Camboriú.
A operação buscou impedir a continuidade de crimes semelhantes aos já investigados.
O caso que motivou a investigação no Pará
O inquérito teve início após denúncias de quatro torcedores do Flamengo que compraram pacotes para assistir à final da Libertadores, em Lima, no Peru. Apesar do pagamento, os ingressos nunca foram entregues, gerando um prejuízo de R$ 8,2 mil.
Sem respostas da empresa, as vítimas procuraram a polícia, que passou a tratar o caso como estelionato.
Histórico extenso de processos e denúncias pelo país
Durante a apuração, os investigadores se depararam com um histórico alarmante. Reportagens e dados judiciais indicam que Fernando Sampaio responde a mais de 600 processos e registros de ocorrência em todo o Brasil, envolvendo as esferas cível e criminal.
Apenas no Rio de Janeiro, são mais de 30 ocorrências registradas ao longo dos últimos anos, o que reforçou a tese de reincidência.
Ao decretar a prisão preventiva, a Justiça considerou que medidas alternativas não seriam suficientes para garantir o cumprimento da lei.
O juiz destacou que, em liberdade, Fernando poderia continuar aplicando golpes, já que existiria uma estrutura organizada para captar vítimas em larga escala, especialmente por meio digital.
A decisão também citou o uso de diferentes empresas para receber pagamentos, o que dificultaria o ressarcimento das vítimas.
Outsider fora do ar e incerteza para clientes
Após a prisão, as páginas da Outsider Tours nas redes sociais ficaram indisponíveis. No site oficial, um aviso informa que a empresa está “temporariamente fechada”. Para clientes que ainda aguardam viagens, ingressos ou reembolsos, o comunicado apenas aumentou a sensação de insegurança e incerteza.
A defesa do empresário afirmou que ainda não teve acesso completo à investigação, mas informou que irá pedir a revogação da prisão preventiva. Segundo o advogado, Fernando Sampaio não teria agido com a intenção de enganar clientes, e os problemas seriam resultado de uma má administração empresarial.
A defesa sustenta que ele pretende pagar todos os consumidores que se sentirem prejudicados.
Vítimas relatam prejuízo financeiro
Entre os relatos, está o de um pai que comprou ingressos para levar o filho de 12 anos à final da Libertadores. A viagem, que seria uma surpresa, foi cancelada, gerando frustração e um prejuízo de quase R$ 10 mil.
Para ele, a prisão representa um passo mínimo diante dos transtornos causados, que vão além do dinheiro perdido.
Problemas antigos e alertas ignorados
Os primeiros grandes episódios envolvendo a Outsider Tours ganharam repercussão em 2022, quando a empresa prometeu fretar voos para torcedores rumo à final da Libertadores no Equador.
Cancelamentos, confusão em aeroportos e passageiros sem embarcar marcaram o início de uma sequência de denúncias que só aumentou nos anos seguintes.
Com processos em mais de 20 estados e investigações em andamento, a prisão de Fernando Sampaio não encerra o caso. A Justiça agora analisa o conjunto de provas e denúncias, enquanto centenas de vítimas aguardam ressarcimento e responsabilização definitiva.
O desfecho promete ainda novos capítulos em um dos maiores escândalos recentes envolvendo turismo esportivo no Brasil.






