Os fósseis são peças fundamentais para que cientistas possam investigar mais sobre o passado da Terra, tendo em vista que suas características revelam muitos detalhes sobre como planeta era há milhões de anos atrás.
E engana-se quem acredita que essas descobertas se baseiam apenas em vestígios de animais, pois a flora também é essencial para o aprofundamento do conhecimento. Neste contexto, locais como a Floresta Petrificada do Cariri reforçam esse argumento.
Localizada no município de Missão Velha, a cerca de 530 km de distância de Fortaleza, a capital cearense, a floresta consiste em um conjunto de árvores fósseis que, de acordo com as estimativas, existem desde quando o estado integrava o “supercontinente” Gondwana.
Isso se deve ao fato de que os registros datam de aproximadamente 145 milhões de anos, remetendo aos períodos Jurássico e Cretáceo. E para chegar a essa conclusão, especialistas precisaram realizar comparações com elementos como grãos de pólen e esporos provenientes de outras regiões com idades semelhantes.
Vale destacar que os troncos da Floresta Petrificada do Cariri são atualmente constituídos majoritariamente por minerais e rochas. Ainda assim, devido à sua capacidade de revelar o passado, merecem ser preservados tanto quanto florestas vivas.
Como a Floresta Petrificada do Cariri se formou?
É importante lembrar que a Floresta Petrificada do Cariri não é a única do Brasil, mas ela se destaca por ter apresentado espécies fósseis que, até o ano passado, eram totalmente inéditas para a ciência internacional.
Em entrevista ao portal Diário do Nordeste, a paleobotânica Domingas Maria da Conceição esclareceu que este tipo de formação surge quando as árvores acabam sendo soterradas subitamente por sedimentos ou rochas e ficam sem acesso a oxigênio.
Com isso, apesar das condições aparentemente adversas, a madeira não se decompõe, ficando preservada como um fóssil. E vale ressaltar que não há um fenômeno exclusivo que cause isso, pois segundo Domingas, qualquer evento natural, como enchentes, fluxos de lava ou quedas de cinzas vulcânicas podem influenciar o soterramento e, consequentemente, a petrificação.





