Embora o arco-íris seja comumente associado à dispersão da luz solar, a ocorrência do fenômeno durante a noite, ainda que pouco frequente, é cientificamente possível. Registros recentes realizados na região da Grande Florianópolis confirmam essa possibilidade.
No primeiro domingo do ano, o fenômeno foi observado na cidade de Rancho Queimado e registrado pelo coordenador do curso técnico em Meteorologia do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Eduardo Beck. Denominado arco-íris noturno ou arco-íris lunar, o evento obedece aos mesmos princípios ópticos que regem a formação do arco-íris observado durante o dia.
Arco-íris noturno
A principal diferença em relação ao diurno está na fonte de iluminação: em vez da luz solar, o fenômeno depende da luz refletida pela Lua, que passa por refração, reflexão interna e dispersão ao atravessar pequenas gotículas de água suspensas na atmosfera.
Devido ao brilho mais reduzido da Lua, as cores do arco-íris lunar costumam ser mais sutis e, muitas vezes, perceptíveis apenas por meio de câmeras com alta sensibilidade à luz. O registro em Rancho Queimado ocorreu no primeiro fim de semana de 2026, logo após chuvas leves, quando um leve chuvisco permaneceu no ar em condições atmosféricas favoráveis.
Especialistas explicam que a formação do arco-íris lunar depende de uma conjunção específica: céu predominantemente limpo, presença de gotículas de água e a fase de Lua cheia ou superlua, quando o satélite natural exibe seu brilho máximo. Todos esses elementos estiveram presentes durante a observação registrada na cidade catarinense.
Observação rara
Semelhante ao arco-íris tradicional, para observar o arco-íris lunar é necessário que o observador esteja de costas para a Lua, com a chuva ou chuvisco à frente, posicionando-se em um ângulo adequado para que o fenômeno se forme. A ocorrência do arco-íris noturno é rara justamente porque depende da combinação precisa de condições meteorológicas e astronômicas, tornando seus registros pouco frequentes.
Além do efeito visual impressionante, o fenômeno possui relevância científica, pois ilustra, de maneira clara, os princípios ópticos que regem a interação da luz com a atmosfera. Observações desse tipo reforçam a importância do monitoramento climático e da divulgação científica, aproximando o público de fenômenos naturais que, embora incomuns, fazem parte do funcionamento contínuo do ambiente atmosférico terrestre.





